
São Filipe, 09 Set (Inforpress) – O presidente da Câmara de São Filipe, Nuías Silva, regressou hoje ao Fogo, após interromper uma deslocação à China, para acompanhar as famílias das vítimas do acidente de 05 de Setembro.
Numa primeira declaração após a chegada, Nuías Silva defendeu o reforço da capacidade de resposta da Protecção Civil e um acompanhamento continuado das famílias afectadas pelo acidente, que provocou 25 mortes e 13 feridos.
O autarca, que realizou uma viagem de mais de 22 horas, com passagens por Pequim e Casablanca, considerou a sua presença no Fogo “extremamente importante” para estar junto das famílias, acompanhar as vítimas internadas e articular directamente com as estruturas médicas e de apoio.
Antes de chegar à ilha, Nuías Silva reuniu-se na Cidade da Praia com o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, que, segundo avançou, garantiu a continuidade do apoio do Governo às famílias e às vítimas em recuperação nos hospitais de São Filipe e da Praia.
O presidente da Câmara indicou que, das famílias afectadas, apenas nove ainda aguardavam a inclusão no sistema de apoio, estando a maioria já a receber assistência.
Destacou igualmente a mobilização de equipas médicas, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para responder à emergência e assegurar o acompanhamento das pessoas afectadas na fase posterior à crise.
Nuías Silva agradeceu aos profissionais de saúde pelo trabalho desenvolvido após o acidente, considerando-os “verdadeiros heróis” por terem feito “tudo o que podiam para salvar vidas”.
O autarca defendeu, entretanto, que a resposta à tragédia não deve limitar-se ao tratamento das feridas, devendo abranger também as dimensões psicológica e social e, sobretudo, o futuro das pessoas afectadas.
“A Protecção Civil começa na comunidade”, afirmou, defendendo investimentos na capacitação e preparação das populações para que possam constituir o primeiro ponto de contacto do sistema de alerta e intervenção.
Neste âmbito, revelou que a Câmara Municipal de São Filipe já trabalha num projecto de Protecção Civil de âmbito regional, em parceria com a Câmara de Brockton, nos Estados Unidos, defendendo a necessidade de acelerar o processo e colocá-lo na agenda das instituições.
O presidente da Câmara reuniu-se também com a presidente da Assembleia Nacional e com representantes das Nações Unidas, que, segundo indicou, manifestaram disponibilidade para apoiar o trabalho na fase pós-crise, através da UNICEF e de outras instituições.
Nuías Silva visitou ainda vítimas transferidas para o Hospital Universitário Agostinho Neto e familiares de uma adolescente do Liceu Domingos Ramos, tendo assegurado que todas as famílias afectadas terão o apoio das autoridades.
O autarca anunciou para quinta-feira visitas a todas as famílias enlutadas nas diferentes localidades do concelho e informou que também visitará o local do acidente.
Segundo Nuías Silva, está igualmente a ser trabalhada uma forma de homenagear e dignificar as 25 vítimas, de modo a preservar os seus nomes e a sua memória na história da ilha e do país.
Quanto ao início do ano lectivo, o presidente da Câmara admitiu a possibilidade de o assunto ser analisado pelo gabinete de crise e pelo Governo, em articulação com o Ministério da Educação, incluindo um eventual adiamento das aulas no agrupamento escolar afectado, caso essa seja a recomendação dos psicólogos.
Nuías Silva considerou, contudo, que a retoma das aulas poderá também ser importante para permitir aos alunos regressarem gradualmente à rotina, inclusive através do transporte escolar, sublinhando que todas as propostas devem ser avaliadas à luz das necessidades das comunidades afectadas.
“É hora de cuidar das pessoas”, afirmou, defendendo que o trabalho das autoridades deve agora concentrar-se na recuperação, no acompanhamento pós-luto e na garantia de protecção futura das famílias atingidas pela tragédia.
JR/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar