
Espargos, 07 Set (Inforpress) – A Organização Desportiva Ribeira Funda (ODERF), representante do Sal no Campeonato Nacional de Andebol Sénior Masculino, manifestou hoje “profunda preocupação e insatisfação” com o novo adiamento da prova, anunciado pela Federação Cabo-verdiana de Andebol (FCA).
Em nota de imprensa enviada à Inforpress, a formação salense considera que o adiamento não constitui “um caso isolado”, mas se insere num cenário marcado por “sucessivas alterações de datas e locais”, muitas delas comunicadas “em cima da hora”.
Para a ODERF, a situação revela uma “evidente falta de organização e de capacidade de gestão” por parte da direcção da FCA.
A organização recorda que, em Julho, a poucos dias do início inicialmente previsto da competição, a federação anunciou o adiamento da prova sem indicar nova data ou local.
Posteriormente, a FCA anunciou o Tarrafal de Santiago como palco da competição, tendo depois optado por um modelo dividido entre Praia e Mindelo, com a realização do ‘Final Four’ no Sal. Mais tarde, a fase final voltou a ser transferida para o Tarrafal.
A ODERF refere ainda que estava prevista para domingo a deslocação das equipas para o Tarrafal, mas, perante a ausência de uma comunicação oficial de confirmação ou alteração, as formações permaneceram na cidade da Praia.
Na segunda-feira, acrescenta, a FCA anunciou novo adiamento, novamente sem indicar datas ou locais.
A equipa salense diz compreender e respeitar o período de luto nacional, mas observa que este termina hoje, 07 de Setembro, pelo que, na sua perspectiva, a competição poderia ser retomada já na terça-feira.
A ODERF contesta igualmente as justificações apresentadas pela FCA relacionadas com dificuldades de transporte.
“As datas do Nacional estavam anunciadas há muito tempo e cabia à FCA garantir atempadamente os bilhetes das equipas potencialmente apuradas”, defende a organização, acrescentando que, no sábado, após a conclusão da fase regular em São Vicente, um membro da direcção da FCA garantiu, em entrevista à Televisão de Cabo Verde (TCV), que os bilhetes já estavam assegurados.
A formação salense alerta ainda para os “graves prejuízos financeiros” suportados pelos clubes ao longo da época e durante a competição, questionando quem assume as despesas decorrentes dos sucessivos adiamentos.
Segundo a ODERF, mesmo quando a federação assegura viagens e estadias, os clubes suportam custos adicionais que acabam por se transformar em “gastos em vão” perante as constantes alterações.
A organização considera que os atletas são igualmente dos principais prejudicados pela instabilidade, defendendo que os sucessivos adiamentos ultrapassam dificuldades meramente operacionais e revelam um “problema estrutural grave”.
Neste contexto, a ODERF sustenta que a actual direcção da FCA “já não reúne as condições necessárias para assegurar a condução da modalidade a nível nacional”.
A formação salense denuncia ainda alegadas irregularidades no funcionamento interno da federação, afirmando que a FCA não dispõe actualmente de “quórum suficiente para o funcionamento regular dos seus órgãos sociais” e que se encontra sem Conselho de Disciplina, Conselho Jurisdicional e outras estruturas que considera essenciais ao cumprimento dos estatutos e ao funcionamento da justiça desportiva.
Face ao que classifica como uma “gestão irregular e sem transparência”, a ODERF apela ao Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) para que assuma uma “posição clara e responsável”, promovendo as medidas necessárias para avaliar a situação da direcção da FCA, restabelecer o normal funcionamento da instituição e, segundo a organização, devolver “dignidade e credibilidade” ao andebol cabo-verdiano.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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