
Assomada, 06 Set (Inforpress) – O ministro da Educação manifestou hoje profunda consternação pelo acidente de viação ocorrido sábado no Fogo, que provocou 25 mortos, considerando-o uma “tragédia de dimensão inédita” para Cabo Verde.
“É uma situação inédita, uma tragédia”, afirmou Arnaldo Brito, durante uma declaração à imprensa, garantindo que o Ministério da Educação acompanha a situação desde as primeiras informações sobre o acidente e mantém contacto com as autoridades locais.
O governante informou que já entrou em contacto com o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, e com o delegado do Ministério da Educação na ilha, que acompanha a situação e presta o apoio necessário.
“Queremos aqui partilhar a nossa solidariedade, o sentimento de tristeza”, afirmou, dirigindo uma palavra de força e coragem às famílias das vítimas, particularmente aos pais que perderam os filhos.
“Cabo Verde inteiro está a sofrer pela dimensão que sentimos. A perda de uma vida humana é sempre dolorosa, mas quando é um número tão elevado numa única comunidade, é mesmo terrível”, acrescentou.
O acidente aconteceu ao final da tarde de sábado, quando um autocarro que transportava alunos num passeio, no trajecto entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, saiu da estrada e caiu numa ravina com cerca de 30 metros de altura, numa zona de difícil acesso.
De acordo com as informações mais recentes das autoridades, 25 pessoas perderam a vida e várias ficaram feridas. Dezanove crianças e adolescentes deram entrada no serviço de urgência do Hospital Regional São Francisco de Assis, tendo cinco morrido na unidade hospitalar, todas com traumatismos cranianos.
O ministro destacou que entre as vítimas estão crianças de nove e dez anos, considerando particularmente dolorosa a tragédia numa altura em que se aproxima o início de um novo ano lectivo.
Segundo Arnaldo Brito, o passeio fazia parte de uma actividade que a comunidade vinha realizando há vários anos, envolvendo crianças e jovens no final do período lectivo. Sublinhou, contudo, que a excursão não foi organizada pelo Ministério da Educação nem pelas escolas.
Questionado sobre a perda do autocarro utilizado no transporte de alunos, o ministro considerou que os danos materiais são secundários perante a perda de vidas humanas.
“A questão da viatura seguramente vai ser superada”, afirmou, acrescentando que “o mais preocupante e doloroso é a perda de vidas humanas, especialmente das crianças”.
O governante garantiu que o Ministério da Educação continuará a acompanhar a situação e a prestar os apoios que se mostrarem necessários, através da sua representação local.
Além do ministro da Educação, várias entidades já manifestaram pesar pela tragédia. O Presidente da República, José Maria Neves, classificou o acidente como uma “grande catástrofe” e desloca-se hoje ao Fogo para prestar solidariedade às famílias e acompanhar as medidas de apoio.
O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, chefia igualmente uma comitiva governamental que se desloca à ilha, acompanhado pelo ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, pelo ministro da Justiça, Clóvis Silva, e por uma equipa médica multidisciplinar, incluindo cirurgiões, neurocirurgião e ortopedista, para reforçar a capacidade de resposta do hospital.
A ministra da Família e Inclusão Social, Adelsia de Jesus Mendes Almeida, orientou a criação de um gabinete de apoio psicológico às famílias das vítimas, enquanto a Câmara Municipal de São Filipe decretou dois dias de luto municipal e mobilizou uma equipa para apoiar os familiares e as operações no terreno.
Também a Paróquia de São Lourenço e a Diocese de Santiago manifestaram profunda tristeza, destacando que entre as vítimas se encontram crianças, jovens, acólitos, catequistas, membros de grupos corais, familiares e outros paroquianos.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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