
Cidade da Praia, 31 Ago (Inforpress) – A obra “O Último Veleiro”, do escritor bravense Nelson Colin Miranda, venceu hoje o Prémio Literário Baltasar Lopes 2026, promovido pelo Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto.
Em declarações à Inforpress, o escritor manifestou “muita emoção” com a distinção, que considerou um reconhecimento não apenas pessoal, mas também da ilha Brava.
“É com muita emoção que recebi esta notícia, primeiro como bravense, e é uma honra representar a minha ilha, pois tenho prazer em receber o prémio para Brava”, afirmou.
Para Nelson Colin Miranda, a distinção assume um significado especial por representar um reconhecimento nacional à ilha Brava, que, segundo salientou, “normalmente fica para trás”.
“Nós normalmente somos uma ilha que sempre fica para trás e, quando temos um prémio a nível nacional, é claro que o prémio é para toda a comunidade. É para todos nós que estamos aqui, que lutamos diariamente. Não há palavras para descrever, é uma sensação de muita emoção”, sublinhou.
O escritor dedicou o prémio ao povo do seu município, com particular destaque para os 53 homens que perderam a vida durante a viagem do navio Matilde, episódio histórico que constitui o centro da narrativa de “O Último Veleiro”.
Segundo explicou, o romance é inspirado na tragédia do navio Matilde, que partiu da ilha Brava a 27 de Agosto de 1943, transportando pessoas que procuravam fugir da fome e das dificuldades provocadas pela Segunda Guerra Mundial.
“É um romance que retrata a tragédia do navio Matilde, o navio que partiu da ilha Brava e que levava consigo pessoas que fugiam da fome, fugiam da Segunda Guerra Mundial”, explicou.
A obra aborda ainda uma realidade profundamente ligada à história cabo-verdiana, a emigração e a procura de melhores condições de vida.
“É baseado nesse facto que escrevi ‘O Último Veleiro’, um romance que fala justamente dessa tragédia, dessa separação e dessa sina do povo cabo-verdiano em querer emigrar desde sempre”, acrescentou.
O escritor considerou 2026 um ano de “muitas emoções” no plano literário, depois de ter lançado, em Janeiro, a sua primeira obra, “Amor a Preto e Branco”, e de ter escrito outro livro que, segundo revelou, poderá ser lançado brevemente.
“E ‘O Último Veleiro’ é como a coroa de todo esse trabalho que tenho feito ao longo dos anos”, afirmou.
Questionado se escreveu a obra com a intenção de conquistar um prémio, Nelson Colin Miranda respondeu negativamente, embora tenha admitido que, depois de decidir concorrer, acreditava que o romance poderia ser distinguido.
“Ao escrever a obra, não escrevi com a intenção de ganhar nenhum título. Mas, ao concorrer, aí sim, estava de certa forma confiante de que esta obra poderia trazer algum prémio para mim, mas para a Brava em especial”, revelou.
O escritor desvalorizou a componente financeira da distinção, considerando que o mais importante é o reconhecimento e a projecção que o prémio poderá proporcionar à sua carreira literária.
“Sendo eu, se calhar, um escritor ainda anónimo, acaba por me trazer, ou levar, para o meio dos escritores a nível nacional”, concluiu.
O Prémio Literário Baltasar Lopes 2026 é atribuído pelo Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, através do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, em parceria com a Cabo Verde Telecom, com o propósito de incentivar a criação literária e valorizar a produção de autores cabo-verdianos.
DM/JMV
Inforpress/ Fim
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