
Furna, 19 Ago (Inforpress) – A população de Furna, na ilha Brava, considera “crítica” a situação de abastecimento de água na localidade, alegando que algumas zonas estão há mais de quatro meses sem receber água nas torneiras.
Perante o agravamento da situação, moradores voltaram a recorrer à comunicação social para manifestar o seu descontentamento com a irregularidade no abastecimento, que, segundo afirmam, afecta sobretudo as zonas de Cutelo e das proximidades da igreja.
Em declarações à Inforpress, o morador Henrique Andrade classificou a situação como “muito grave”, salientando que paga mensalmente as suas facturas de água, apesar de, segundo afirmou, receber água na torneira apenas de 45 em 45 dias.
“A minha mulher está doente e não pode carregar água. Há dias fui para a cidade, Nova Sintra, com nove bidões para que um amigo me arranjasse um pouco de água. Para transportar a água de Nova Sintra até Furna paguei 500 escudos”, relatou.
Para Henrique Andrade, a situação exige uma intervenção urgente da empresa responsável pelo abastecimento, considerando que a população está “a ir de mal a pior”.
“A Águabrava tem de ver esta situação, porque já estamos a ir de mal a pior. A zona que mais sofre nesta comunidade é Cutelo e o lado da igreja. Passa-se um mês, 45 dias, para recebermos água”, lamentou.
Por sua vez, Dulcilina da Luz, moradora em Cutelo, afirmou que já perdeu a noção da última vez que viu água a sair da sua torneira.
A moradora considera que, enquanto cliente da empresa distribuidora, tem direito a receber regularmente o serviço pelo qual paga.
“Nós sabemos que na ilha existe dificuldade de água, mas existe um carro de abastecimento de água na ilha. Penso que deveria ser enviado esse carro para abastecer a nossa localidade”, defendeu.
Dulcilina da Luz explicou ainda que, devido à localização da sua residência, é obrigada a recorrer a moradores de ruas situadas em zonas mais baixas para conseguir água, pagando depois a alguém para fazer o transporte até à sua casa.
“No meu caso, para conseguir água, preciso ir às ruas que ficam mais abaixo para pedir água e pagar alguém para a trazer até em casa. Eu não posso ficar fazendo isso todos os dias. Sou cliente da Águabrava e estou a pagar a minha factura todos os meses”, afirmou.
Em Fevereiro de 2025, o então ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, garantiu que o projecto de dessalinização da água do mar permitiria resolver tanto a questão da quantidade como da qualidade da água na Brava, sublinhando que a infraestrutura teria capacidade para responder às necessidades de abastecimento do município.
Entretanto, a entrada em funcionamento da central tem enfrentado constrangimentos técnicos relacionados com a presença de manganês na água captada.
Em Fevereiro de 2026, o então ministro garantiu que estava a ser encontrada uma solução técnica para eliminar o manganês antes do processo de dessalinização e apontou Março como prazo para a resolução do problema.
Contudo, até ao momento, a central continua sem entrar em funcionamento, segundo as informações recolhidas pela Inforpress.
A Inforpress tentou contactar a empresa Águabrava para obter uma reacção às reclamações dos moradores e esclarecer o actual ponto de situação do abastecimento de água em Furna, mas não obteve resposta até ao momento.
DM/JMV
Inforpress/FIm
Partilhar