
Cidade da Praia, 15 Ago (Inforpress) - O bispo da Diocese de Santiago, Dom Teodoro, colocou hoje a festa de Nossa Senhora da Graça como momento de renovação da esperança e de reafirmação da fé na ressurreição e na vida eterna, perante as dificuldades da vida.
Num tempo marcado por perdas, angústias e incertezas, a celebração da Assunção de Maria ganhou, nas palavras de Dom Teodoro, uma dimensão que ultrapassa a própria devoção mariana, a de recordar aos fiéis que a morte não representa o fim da existência e que a dignidade humana encontra, na fé cristã, a sua plena realização para além da vida terrena.
Em declarações à Inforpress, momentos antes da Eucaristia, Dom Teodoro considerou a festividade “motivo de alegria e gratidão a Deus”, evidenciando uma longa tradição de devoção à Nossa Senhora e o significado da solenidade da Assunção para os católicos.
Para o bispo, a celebração ganha particular relevância num quotidiano marcado por dificuldades, angústias e incertezas, por recordar aos fiéis que a existência humana não se esgota nas experiências terrenas nem termina com a morte.
“E esse é o nosso destino”, afirmou, sublinhando que a fé cristã aponta para uma vida que “não termina neste mundo, no túmulo”, mas que tem como destino definitivo “o céu, o paraíso”.
A partir da figura de Maria, o bispo estabeleceu uma ligação entre a celebração e a própria condição humana, considerando que a Assunção constitui uma lembrança de que todos os fiéis são “peregrinos, a caminho da pátria celeste”.
“A Assunção é uma festa que diz respeito à Nossa Senhora, mas também a nós, peregrinos, a caminho da pátria celeste”, enfatizou.
Na sua leitura, a mensagem da solenidade não se limita à dimensão espiritual da pessoa, uma vez que a concepção cristã da salvação abrange o ser humano na sua totalidade.
“Nós devemos também ver a salvação, não apenas a salvação da alma como algo separado do corpo, mas o ser humano é uma unidade”, explicou, acrescentando que, segundo a fé cristã, o corpo mortal será transformado num “corpo glorioso”.
A celebração foi igualmente associada pelo bispo à dignidade humana, particularmente à dignidade da mulher.
Para o mesmo, a glorificação de Nossa Senhora representa também a valorização da condição feminina e a expressão máxima de uma vida orientada para a plenitude.
“Nossa Senhora é essa pessoa que atingiu a plenitude da vida que nós almejamos, a vida eterna e feliz junto de Deus”, afirmou.
Ainda assim, aproveitou para esclarecer uma distinção teológica entre a Assunção de Maria e a Ascensão de Jesus Cristo. Enquanto Cristo, segundo a doutrina cristã, ascendeu ao céu pelo seu próprio poder, Nossa Senhora foi “assunta ao céu pelo poder e pela graça de Deus”.
A solenidade foi também vivida pelos fiéis como espaço de encontro, oração e agradecimento, num ambiente marcado pela participação da comunidade e pela renovação da fé.
Um dos fiéis ouvidos pela Inforpress realçou a Eucaristia como um dos momentos centrais da celebração, sublinhando a possibilidade de os fiéis se aproximarem de Deus, agradecerem e pedirem protecção para continuar a caminhada.
“É um momento muito importante para nós, para agradecer a Deus, pedir protecção e continuar a nossa caminhada com fé”, afirmou.
Entre a tradição religiosa e as inquietações do quotidiano, a festa de Nossa Senhora da Graça ficou, assim, marcada por uma mensagem que ultrapassa o próprio momento celebrativo: diante das perdas, dificuldades e incertezas da existência, a fé apresenta a esperança como resposta e a vida eterna como horizonte.
“Que Nossa Senhora esteja por todos nós”, desejou Dom Teodoro.
Por todo o país, a data é vivida com celebrações religiosas reunindo comunidades e fiéis em diferentes paróquias em momentos de oração, procissões e outras manifestações de fé.
KA/ZS
Inforpress/Fim
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