
Assomada, 12 Ago (Inforpress) – O aumento de 120 para 150 escudos da tarifa de transporte de passageiros entre Ribeira da Barca e Assomada está a gerar descontentamento entre moradores, que consideram a subida “exagerada” face às dificuldades económicas.
Os condutores justificam o reajuste com o aumento do preço dos combustíveis e de outros custos associados à actividade, enquanto os passageiros defendem que a subida de 30 escudos representa um peso significativo para quem utiliza o transporte diariamente.
Um dos condutores, Mário Furtado, explicou que o aumento dos custos de exploração tem afectado a actividade, apontando, além do preço do combustível, despesas com óleo, pneus, pastilhas e manutenção das viaturas.
Também o condutor Evandro Pina justificou o novo preço com o aumento dos custos, considerando que os 150 escudos são necessários para fazer face às despesas da actividade.
“É só o combustível que está a subir. É óleo, pneu, pastilhas e tudo, as outras coisas também estão a subir”, afirmou.
Segundo explicou, a tarifa de 120 escudos já não compensava os custos da deslocação entre Ribeira da Barca e Assomada, tendo em conta a distância percorrida e o aumento sucessivo das despesas de exploração.
Do lado dos passageiros, a subida não é consensual, sobretudo entre aqueles que utilizam o transporte diariamente para se deslocarem ao trabalho.
“Eles podiam pôr 130, mas agora 150 é uma subida muito exagerada”, considerou a passageira Natalina Rocha.
A passageira explicou que utiliza o transporte diariamente e que o aumento representa uma despesa adicional significativa para quem depende do serviço para se deslocar ao trabalho.
Chamou ainda a atenção para o impacto da subida nos agregados familiares que têm filhos a estudar fora da localidade, salientando que as despesas com o transporte dos estudantes também recaem sobre as famílias.
Natalina Rocha apelou à intervenção das entidades competentes para que a situação seja analisada e regularizada, de modo a encontrar um equilíbrio entre os custos dos transportadores e a capacidade financeira dos passageiros.
Também Kátia, outra passageira, considera exagerada a nova tarifa de 150 escudos, sobretudo tendo em conta a situação económica das famílias.
“Com essa situação que nós estamos vivendo, você acha que é possível alguém pagar? Não”, afirmou, acrescentando que há pessoas que não têm condições para suportar o novo valor.
O aumento da tarifa ocorre num contexto de subida dos preços dos combustíveis em Cabo Verde. Desde 01 de Agosto, a gasolina passou a custar 168,10 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal passou para 157,60 escudos, segundo os preços máximos fixados pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME).
Para Agosto, a ARME anunciou um aumento médio de 6,86% dos preços máximos dos combustíveis, embora a cotação média do petróleo Brent tenha registado uma redução de 1,87% em Julho, fixando-se em 83,01 dólares por barril.
Em Ribeira da Barca, a subida da tarifa para Assomada coloca, assim, em confronto as preocupações dos transportadores com o aumento dos custos da actividade e as dificuldades dos passageiros, que defendem preços compatíveis com a capacidade económica da população.
DV/JMV
Inforpress/Fim
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