
Assomada, 31 Jul (Inforpress) – O legado de Nha Balila, Nha Nácia Gomi e Nha Mita Pereira foi hoje enaltecido, em Santa Catarina, durante uma homenagem integrada no Simpósio Internacional “Batuku i Finason”, que distinguiu o contributo das três mulheres para a cultura cabo-verdiana.
A iniciativa, promovida pela Sankofa Editora, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Catarina, os projectos Ubuntu e Nha Balila, a Fundação Batuku, a Fundação Aliança Solidária e o IPC – Museu Norberto Tavares, coincidiu com as comemorações do Dia da Mulher Africana e pretendeu reconhecer o papel desempenhado pelas três mulheres na preservação e transmissão do batuku e do finason.
A membro da comissão organizadora, Crisálida Correia, explicou que a distinção pretende reconhecer, ainda em vida, o percurso de Nha Balila, que acabou por não estar presente devido a problemas de saúde, fazendo-se representar por familiares.
Segundo a organizadora, a homenagem resulta de vários meses de trabalho conjunto entre investigadores, instituições e parceiros, com o objectivo de valorizar o batuku não apenas como manifestação artística, mas também como objecto de investigação científica e de salvaguarda patrimonial.
Acrescentou que familiares das homenageadas se deslocaram da diáspora, nomeadamente de França e da Suíça, para participar na cerimónia, realizada no âmbito da Semana do Batuku e das comemorações do Dia da Mulher Africana.
Em representação da família de Nha Balila, o neto Euclides Mendes considerou que a homenagem constitui um reconhecimento merecido pelo percurso da avó, destacando o seu contributo para a preservação e divulgação do batuku antes e depois da independência de Cabo Verde.
O familiar defendeu que Nha Balila permanece uma referência da cultura cabo-verdiana, sustentando que preservar o seu legado significa manter vivas as raízes e a identidade do povo cabo-verdiano.
Também a filha de Nha Mita Pereira, Celina Pereira, manifestou satisfação pela distinção, afirmando que a família continua a seguir os ensinamentos deixados pela mãe e a trabalhar pela valorização do batuku.
Para Celina Pereira, a coincidência da homenagem com o Dia da Mulher Africana reforça o simbolismo da iniciativa, por reconhecer mulheres que marcaram a história da cultura cabo-verdiana e continuam a inspirar as novas gerações.
Defendeu ainda que iniciativas desta natureza são essenciais para preservar a memória das grandes batucadeiras e garantir a continuidade da tradição, sublinhando que o batuku representa a alma, a identidade e a herança cultural de Cabo Verde.
DV/JMV
Inforpress/Fim
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