
Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) - A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc) condenou hoje as alegadas perseguições profissionais e interferência editorial sobre o jornalista Elvis Neves, da Rádio de Cabo Verde (RCV), exigindo garantias para a liberdade de imprensa.
Em nota enviada hoje à Inforpress, a Ajoc manifestou "profunda preocupação" com as denúncias apresentadas pelo profissional contra o director da RCV, Marcos Fonseca, a quem imputa a adoção de decisões "arbitrárias e persecutórias" nos últimos meses.
Entre as irregularidades apontadas pelo jornalista constam limitações no exercício de funções na antena, desconfiança institucional reiterada e exigências funcionais sem devido enquadramento contratual nem compensação pecuniária, nomeadamente a atribuição não assinada de tarefas de editor.
A Ajoc considera também preocupante, o alegado bloqueio de reportagens enviadas por Elvis Neves durante a cobertura da Selecção Nacional Feminina de Futebol na Taça das Nações Africanas, em Marrocos, onde peças terão sido travadas ou editadas para remoção da sua voz e identificação.
Caso estas alegações venham a confirmar-se, a Ajoc considera que estará em causa um atentado à autonomia do trabalho jornalístico e aos princípios que devem orientar um serviço público de comunicação social, sublinhando que a liberdade editorial não pode justificar o bloqueio de conteúdos produzidos no âmbito de uma missão oficialmente autorizada.
No plano laboral, a associação manifesta ainda preocupação com a alegada introdução, no processo contratual do jornalista, de um caderno de encargos cuja existência e validade são contestadas por Elvis Neves, por, supostamente, não conter a sua assinatura.
Segundo o jornalista, esse documento passou a atribuir-lhe responsabilidades de editor sem qualquer alteração formal do contrato ou compensação correspondente.
Para a Ajoc, a confirmar-se, a situação poderá configurar uma alteração unilateral das condições de trabalho e uma forma de pressão laboral, defendendo que os poderes de direcção devem ser exercidos com respeito pela legislação, pela ética profissional e pela dignidade dos trabalhadores.
O sindicato criticou a passividade inicial do Conselho de Administração da RTC, embora tenha tomado nota da abertura de um processo interno de averiguações, solicitando que este decorra com total independência, transparência e sem atrasos que penalizem o jornalista.
A associação sindical assegura que continuará a acompanhar o caso e admitiu recorrer às instâncias nacionais e internacionais competentes para salvaguardar os direitos da classe e a liberdade de informação.
Contactado pela Inforpress para reagir às acusações, o director da RCV, Marcos Fonseca, remeteu pronunciamentos para momento posterior.
DG/CP
Inforpress/Fim
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