
Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela considerou que Cabo Verde lê hoje mais do que no passado, mas defendeu maior investimento na literacia, nas bibliotecas e na promoção da leitura desde a infância.
Em entrevista à Inforpress, o escritor, editor e jornalista afirmou que o país registou progressos significativos nas últimas décadas, impulsionados pela expansão da escolaridade, pela redução do analfabetismo e pelo aumento do número de autores, editoras e publicações.
"Em Cabo Verde lê-se muito mais do que no tempo dos Claridosos ou no pós-Independência", afirmou, sublinhando que o país passou de uma sociedade "esmagadoramente analfabeta" para uma realidade com maior acesso à educação e aos livros.
Ainda assim, considerou que os níveis de leitura permanecem insuficientes.
"Estamos melhores, mas não estamos bem. Só estarmos melhores do que antigamente não serve quando o presente não está bem", afirmou.
Segundo Dai Varela, a formação de leitores depende sobretudo do exemplo dado pelos adultos, do ambiente familiar e do contacto das crianças com os livros desde os primeiros anos de vida.
Na sua opinião, famílias, escolas e Estado devem reforçar o investimento na promoção da leitura, através da valorização das bibliotecas, da mediação da leitura e do acesso regular ao livro.
O escritor alertou também para a concorrência dos telemóveis, dos jogos e das redes sociais, embora considere que a responsabilidade pela diminuição dos hábitos de leitura não pode ser atribuída apenas às novas tecnologias.
"A criatividade do autor, por si só, não chega. Há um trabalho que precisa de ser feito e a família e o Estado têm de assumir um maior papel", defendeu.
Dai Varela criticou ainda a inexistência de estudos sobre os hábitos de leitura e os níveis de literacia da população cabo-verdiana, defendendo que a ausência desses dados compromete a definição de políticas públicas para o setor.
"Se o Estado não tem interesse em medir esses dados, como poderá desenhar uma política pública para melhorar um cenário que desconhece?", questionou.
Para o escritor, o investimento na leitura desde a infância continua a ser uma das formas mais eficazes de formar cidadãos críticos e de promover o desenvolvimento cultural e educativo de Cabo Verde.
JMV/CP
Inforpress/Fim
Partilhar