ENTREVISTA: Escritor Dai Varela advoga aposta na biliteracia antes da generalização do ensino bilingue

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ENTREVISTA: Escritor Dai Varela advoga aposta na biliteracia antes da generalização do ensino bilingue
27/07/26 - 11:10 am

Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – O escritor Dai Varela defendeu a aposta na biliteracia dos professores antes da generalização do ensino bilingue em Cabo Verde, considerando prioritária a formação em leitura e escrita nas duas línguas oficiais do ensino.

Em entrevista à Inforpress, o escritor, jornalista e editor afirmou que a introdução do ensino bilingue deve ser precedida de um investimento consistente na formação dos docentes, para que dominem plenamente a leitura e a escrita formais em português e na língua cabo-verdiana.

Segundo Dai Varela, falar crioulo não significa, por si só, dominar a sua escrita e gramática, pelo que considera essencial preparar primeiro os professores.

“A biliteracia deve começar por quem ensina. Antes de exigirmos que os alunos sejam bilingues na escola, os professores precisam de dominar plenamente a leitura e a escrita formais nas duas línguas”, afirmou.

Na sua opinião, sem docentes devidamente preparados existe o risco de transmitir aos alunos fragilidades linguísticas em vez de competências sólidas.

“Falar crioulo todos nós falamos, mas a leitura e a escrita não são inerentes ao simples facto de falarmos a língua”, sustentou.

Embora admita que o ensino bilingue possa vir a integrar o sistema educativo cabo-verdiano, defendeu que a sua implementação deve obedecer a critérios pedagógicos e não apenas políticos ou ideológicos.

Para o escritor, a língua cabo-verdiana deve reforçar a sua presença no sistema educativo através de uma estratégia gradual, começando pela consolidação como disciplina curricular e pela formação adequada dos docentes.

Dai Varela considerou ainda que o objectivo deve ser formar alunos capazes de comunicar conceitos complexos com igual competência em português e em língua cabo-verdiana, alertando para o risco de o crioulo ser usado apenas para suprir dificuldades no domínio do português.

Questionado sobre a evolução da política linguística em Cabo Verde, observou que o processo conheceu avanços e recuos nas últimas décadas, defendendo que qualquer reforma nesta matéria deve assentar numa preparação técnica consistente e num amplo consenso nacional.

JMV/CP

Inforpress/Fim

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