
Sal Rei, 20 Jul (Inforpress) – Cerca de 55 jovens, oriundos de quase todas as ilhas, participam, a partir de hoje, na Boa Vista, no Hackathon Juventude Azul, dedicado ao desenvolvimento de soluções para a conservação marinha e a resiliência climática.
Sob o lema "Soluções para o Clima e o Futuro do Oceano", a iniciativa integra os pré-eventos da V Conferência da Década do Oceano e é coorganizada pela Presidência da República, através da Secretaria Executiva da Década do Oceano, pelo Instituto do Mar (IMar) e pela Câmara Municipal da Boa Vista, com financiamento e apoio técnico da Cooperação Luxemburguesa.
Na abertura do evento, o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, alertou para a vulnerabilidade da ilha às alterações climáticas, referindo que, por ser uma das mais rasas do país, enfrenta maior exposição à subida do nível do mar e à erosão costeira.
Segundo o autarca, na Praia de Cruz é já visível o avanço do mar em direcção à zona urbana, defendendo que a resposta deve passar pela prevenção e pelo envolvimento activo dos jovens enquanto "motores de desenvolvimento e guardiões do ecossistema".
O presidente do IMar, Albertino Martins, classificou a Boa Vista como um "laboratório vivo" para o estudo da erosão costeira e da subida do nível do mar.
Dirigindo-se aos estudantes e estagiários presentes, afirmou que "a ciência marinha não é apenas teoria, é serviço e impacto real para o país", incentivando os jovens a seguirem carreiras ligadas à economia azul.
A conselheira do Presidente da República e ponto focal da conferência, Luzia Oliveira, destacou o carácter descentralizado da iniciativa, sublinhando que cerca de 80% da programação decorre no terreno, junto das comunidades.
"Uma conferência não se pode fechar entre quatro paredes, as pessoas têm de sentir as acções e a juventude tem de ser assumida como a solução do presente e do futuro", afirmou.
Em representação da Cooperação Luxemburguesa em Cabo Verde, Inês Mourão considerou que "Cabo Verde não é apenas um pequeno Estado insular, é um grande Estado oceânico", defendendo a apresentação de propostas "criativas, exequíveis e com impacto directo na vida das comunidades".
O hackathon decorre até 24 de Julho e reúne equipas de jovens, acompanhadas por mentores, para desenvolver propostas em cinco áreas: pesca inteligente e cadeia de valor, economia circular e valorização dos recursos marinhos, clima e oceano digital, inclusão de género no empreendedorismo azul e conservação marinha e resiliência climática.
A programação dos pré-eventos prossegue durante a semana com formações técnicas, workshops, feiras dedicadas à economia azul e acções ambientais em várias comunidades da ilha.
MGL/JMV
Inforpress/fim
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