
*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***
Mindelo, 27 Jun (Inforpress) – Bubista, o comandante dos Tubarões Azuis, quando fez a afirmação que suporta parte do título desta peça, sabia ao que vinha: porque conhece de ginjeira quem comanda e porque sabe que o sonho comanda a vida.
E, no fim do jogo com a Arábia Saudita, que principiou na noite de sexta-feira, 26, e terminou na madrugada de hoje, o empate, afinal, soube a pouco, tantas foram as oportunidades de concretização criadas e desperdiçadas por Cabo Verde, sobretudo na segunda parte da partida.
O conto, no entanto, volta atrás, tantas foram as peripécias com que o repórter se confrontou quando optou por assistir ao jogo numa das fanzones, no caso, no Terminal de Cruzeiros, no Mindelo.
A principio, uma hora antes do apito inicial, a euforia era contida, não se registaram rasgos de sobranceria, do ponto de vista dos adeptos, até porque a Arábia Saudita é mais habituada a estes palcos do que os Tubarões Azuis.
Primeiros aplausos do público, ainda antes do jogo se iniciar, são dedicados a um grande plano da mãe do guarda-redes Vozinha, na tribuna, qua a realização mostrou nos écrans, depois, silêncio absoluto para o minuto dedicado à Venezuela, devido aos terramotos, e, finalmente, a primeira explosão de alegria com a entoação do hino nacional.
Rola a bola, e, para abreviar, diga-se que se frente à Espanha, Cabo Verde apresentou um sólido processo defensivo, com o Uruguai manteve a consistência defensiva, mostrou desdobramentos ofensivos e feriu o adversário, hoje, com a Arábia Saudita, repetiu tudo mas faltou quem fosse capaz de concretizar, num jogo que dominou.
“Estou chateado, não pelo resultado, mas porque desperdiçamos a primeira vitória cantada num Mundial, e o Bubista tem que procurar concretizadores para esta selecção”, assim respondia um jovem a um amigo, que estranhou a sua cara de poucos amigos, apesar da qualificação.
Não se saiu, já se vê, do 0-0 com a Arábia Saudita, mas mesmo com o apito final do francês Letexier, foi necessário aguardar alguns instantes para que a Espanha confirmasse a vitória de 1-0 ante o Uruguai.
Agora sim, tudo confirmado, fogo de artifício, bandeiras ao alto, gritos e desfiles de viaturas: foi assim que os mindelenses libertaram a adrenalina de uma história que ainda terá mais capítulos, mas que por hora terá uma longa madrugada.
O próximo capitulo desta história trará consigo a Argentina, mais um campeão do mundo, o terceiro, coisa rara, para uns Tubarões Azuis que tem o mundo a seus dentes.
E a peça termina como começou, com Bubista: “Com coragem e determinação, resiliência, capacidade de sofrimento e trabalho com organização pode-se ombrear com qualquer adversário”.
Se calhar, sim, só falta arranjar um ponta de lança com mais pontaria para a baliza adversária, que venha a Argentina, com um pedido ao Santo Manuel para amparar e guiar esse tubarão histórico rumo a mais uma façanha.
AA/CP
Inforpress/Fim
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