
Cidade da Praia, 25 Jun (Inforpress) - O professor Carlos Sacadura destacou hoje a actualidade do pensamento de Edgar Morin, defendendo que a educação contemporânea, marcada pela especialização e fragmentação do conhecimento, precisa retomar uma visão interdisciplinar e integrada dos saberes.
As declarações foram feitas à imprensa à margem da conferência em homenagem ao centenário do filósofo e sociólogo francês recém-falecido aos 104 anos, promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), onde o académico abordou o tema “Conceito de complexidade em Edgar Morin”.
O docente sublinhou que o sistema educativo actual tem privilegiado a especialização, o que tem contribuído para a perda de uma visão global do conhecimento.
Segundo explicou, Morin propõe uma forma de pensar que articula as partes e o todo, defendendo que não é possível compreender plenamente os fenómenos sociais e científicos de forma isolada. “A complexidade é isso: não ver as partes sem o todo, nem o todo sem as partes”, sintetizou Carlos Sacadura.
O académico lembrou ainda que a obra de Morin surge como resposta a um tempo de incertezas, em contraste com modelos anteriores baseados em certezas absolutas. Para o professor, o pensamento moriniano funciona como uma “nova enciclopédia”, orientada para a construção contínua do conhecimento num mundo em constante mutação.
O docente defendeu também que as ideias do filósofo francês podem contribuir directamente para o contexto educativo cabo-verdiano, através da promoção da interdisciplinaridade e da ligação entre áreas tradicionalmente separadas, como as ciências e as humanidades.
Esta integração, sustentou, recupera uma lógica histórica em que engenharia, artes e ciência dialogavam de forma mais próxima, algo que se perdeu com a crescente compartimentação do saber nas universidades modernas.
Questionado sobre o impacto do pensamento de Morin na educação, Carlos Sacadura afirmou que o legado do filósofo permanece actual e relevante, sobretudo por incentivar a ligação entre imaginação, ciência e humanidades, num mundo que exige novas formas de pensar e aprender.
O professor abordou ainda a dimensão humana e universal do pensamento de Morin, referindo que a sua origem e experiência histórica reforçaram uma visão de inclusão e rejeição a qualquer forma de exclusão social, cultural ou religiosa.
Para concluir, Carlos Sacadura salientou que o valor de uma sociedade não depende apenas da sua dimensão territorial ou económica, mas sim da sua capacidade cultural e intelectual de se afirmar e contribuir para o conhecimento global.
Edgar Morin foi um filósofo e sociólogo francês, nascido em Paris a 08 de Julho de 1921 e falecido a 29 de Maio de 2026, na sua cidade natal, aos 104 anos. É mundialmente conhecido por desenvolver a “Teoria da Complexidade”, que defende uma visão integrada e interdisciplinar dos fenómenos sociais e naturais.
CG/CP
Inforpress/Fim
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