
Cidade da Praia, 17 Jun (Inforpress) – A utilização da inteligência artificial e de drones na recolha e análise de dados agrícolas pode ajudar a responder a desafios do sector em Cabo Verde, defendeu hoje, na Praia, o investigador Francisco Silva.
O docente da Escola de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) falava à margem do workshop “Agricultura Inteligente: IA e drones na agricultura”, promovido para demonstrar a aplicação prática destas tecnologias no contexto agrícola nacional.
A iniciativa insere-se no projecto AP-BYTE_2CAP (2/MAC/3/6.1/0209_CAP), financiado pelo Programa Interreg MAC 2021-2027, e resulta de uma parceria entre a Universidade de Cabo Verde, a Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC) e outras instituições da Macaronésia.
Segundo Francisco Silva, o projecto centra-se na recolha e processamento de dados com recurso à inteligência artificial, com o objectivo de apoiar a resolução de problemas concretos da agricultura.
“O projecto trabalha com a recolha e processamento de dados com ajuda da inteligência artificial para encontrarmos respostas e resolvermos problemas básicos da agricultura”, afirmou.
De acordo com o investigador, o sistema permitirá recolher informação em tempo real através de drones e observação directa no terreno, facultando análises mais precisas sobre as condições agrícolas.
Os dados obtidos, acrescentou, poderão apoiar a tomada de decisões relacionadas com a adequação dos solos às culturas, a disponibilidade de água e outras características relevantes para a produção agrícola.
Francisco Silva salientou ainda que o tratamento destes dados, associado à inteligência artificial, poderá contribuir para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos, particularmente importante num país com clima seco como Cabo Verde.
A equipa do projecto encontra-se actualmente numa fase inicial de testes. Depois de uma primeira etapa de formação realizada nas Canárias, especialistas deslocaram-se a Cabo Verde para sessões teóricas e preparação dos trabalhos de campo.
“Vamos realizar levantamentos fotográficos com drones e, a partir desses testes, avaliar quais os equipamentos e características técnicas mais adequados para a Uni-CV”, explicou.
Nesta fase, os parceiros internacionais estão a conhecer as realidades agrícolas das ilhas de Santiago e São Vicente, prevendo-se, numa etapa posterior, o envolvimento directo dos agricultores cabo-verdianos.
Contudo, Francisco Silva sublinhou que a prioridade passa pela validação dos sistemas e dos resultados obtidos.
“Primeiro precisamos testar o sistema e comprovar que funciona. Só depois poderemos orientar os agricultores sobre o melhor caminho a seguir”, afirmou.
Questionado sobre o potencial dos drones e da teledetecção para a agricultura nacional, o investigador considerou que estas tecnologias não constituem uma solução única, mas representam uma ferramenta com potencial para melhorar a produção agrícola.
“Não podemos dizer que seja a solução, mas é um caminho que abre portas e oportunidades. Juntamente com a inteligência artificial, podemos alcançar bons resultados e obter orientações importantes para o sector agrícola”, concluiu.
O projecto AP-BYTE_2CAP tem uma duração prevista de dois anos e está actualmente centrado na apresentação das ferramentas tecnológicas, formação dos participantes e primeiras acções de recolha de dados no terreno.
JBR/JMV
Inforpress/fim
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