
Mindelo, 15 Jun (Inforpress) – O professor da Universidade Técnica do Atlântico (UTA) Estanislau Lima pretende implementar um projecto de agricultura inteligente em Cabo Verde, que consiste na utilização de ferramentas de tecnologias informáticas para tornar a agricultura mais produtiva e eficiente.
A informação foi avançada à imprensa por Estanislau Lima, a propósito da apresentação, no Mindelo, do projecto denominado Ap-Byte, desenvolvido em parceria com universidades das Canárias, arquipélago que já possui experiência na área da agricultura inteligente.
Segundo o investigador, Cabo Verde enfrenta grandes desafios, sobretudo ao nível da escassez de água, da falta de chuva, da limitação de terrenos agrícolas, das pragas e também da tomada de decisões relativamente aos tipos de cultivo mais adequados.
Por isso, explicou, o projecto tem como objectivo trazer uma solução que combina a utilização da inteligência artificial com ferramentas de teledetecção.
Isto é, clarificou, consiste em utilizar a inteligência artificial para fazer previsões e avaliar a qualidade dos terrenos, bem como identificar os tipos de cultivo mais apropriados de acordo com as condições climáticas.
“Com esta plataforma, pensamos que podemos superar uma barreira muito grande, que é a dificuldade em saber, por vezes, como está o terreno, como está o cultivo, qual a disponibilidade de água, quando se deve regar, quando se deve cultivar, quando se deve mudar a plantação e que tipos de fertilização devem ser utilizados”, explicou Estanislau Lima.
Segundo a mesma fonte, o projecto de agricultura inteligente está dividido em várias fases e está a ser implementado em parceria com instituições como as universidades de Las Palmas e de La Laguna, além de outros parceiros internacionais.
Conforme Estanislau Lima, a realização do workshop junto dos alunos da UTA tem como objectivo mostrar a aplicabilidade das soluções que já estão a ser desenvolvidas, a forma como estão a ser utilizadas e como podem ser aplicadas na agricultura.
“A ideia é que, num futuro próximo, quando o projecto estiver finalizado, possamos ter esta ferramenta à disposição dos nossos agricultores e dos ministérios, de forma a utilizarem estas informações, uma vez que são vários os dados que devem ser recolhidos para que se possa praticar uma agricultura de qualidade”, afirmou.
As Canárias, que partilham semelhanças geográficas e climáticas com Cabo Verde, servem de modelo tecnológico para o projecto. Segundo a representante da Universidade de Las Palmas, Âmbar Pérez García, as tecnologias de agricultura de precisão são "perfeitamente adaptáveis" à realidade cabo-verdiana.
“O uso de câmaras e drones é perfeitamente aplicável em ambos os locais. Quando falamos de agricultura nas ilhas, os ‘drones’ assumem grande relevância", sublinhou a investigadora espanhola, indicando que os alunos já começaram a receber formação prática com imagens aéreas.
CD/CP
Inforpress/Fim
Partilhar