
Ribeira Grande, Santo Antão, 06 Jun (Inforpress) – A jornalista da Inforpress Lucilene Salomão foi distinguida pela Delegação do Ministério da Educação pelos serviços prestados à educação e relatou ter sido agredida horas depois, durante uma cobertura desportiva na Ponta do Sol.
A informação foi avançada pela própria jornalista numa publicação na rede social Facebook, na qual descreveu as emoções vividas ao receber um certificado de reconhecimento e o contraste com um episódio ocorrido mais tarde, quando exercia a sua actividade profissional.
Segundo escreveu, o documento recebido simboliza muito mais do que um simples reconhecimento formal, representando anos de dedicação ao jornalismo, marcados por deslocações constantes, horários prolongados, sacrifícios pessoais e compromisso com o dever de informar.
“Confesso que o papel em si não foi o que mais me emocionou, o que me tocou foi aquilo que ele representa”, afirmou, acrescentando que por detrás de um certificado estão “quilómetros percorridos, horas sem horário, almoços adiados, noites mal dormidas, festas perdidas, telefonemas atendidos fora de horas e histórias contadas quando quase ninguém estava a olhar”.
A jornalista referiu que saiu da cerimónia com um sentimento de reflexão sobre o percurso profissional que a conduziu até ao momento de reconhecimento.
No entanto, poucas horas depois, quando se encontrava na cidade da Ponta do Sol para a cobertura de mais uma jornada do Campeonato Nacional de Futebol, viveu uma situação que classificou como mais uma das dificuldades associadas à profissão.
De acordo com o relato, quando se preparava para regressar à casa, após concluir entrevistas e recolher fotografias para a reportagem, foi abordada por um homem que aparentava estar em estado de descompensação mental e que a terá cuspido por duas vezes.
“Por instantes, fiquei imóvel. Não pela agressão em si, mas pela sensação de impotência”, escreveu.
Perante a situação, dirigiu-se a um agente da Polícia Nacional que se encontrava nas proximidades. O indivíduo foi abordado pelas autoridades e abandonou o local.
A jornalista considerou que o episódio lhe recordou que os profissionais da comunicação social enfrentam frequentemente situações difíceis que não ficam registadas nas notícias que produzem.
Na publicação, Lucilene Salomão reflectiu ainda sobre os desafios do exercício do jornalismo, referindo-se às críticas, ofensas, acusações de parcialidade, dificuldades de acesso às fontes e exigências profissionais que acompanham o quotidiano da actividade.
“Seguimos depois das críticas injustas. Seguimos depois das ofensas. Seguimos quando nos acusam de tomar partidos apenas porque relatámos factos”, escreveu.
Apesar das dificuldades, a jornalista defendeu que o jornalismo continua a ser uma profissão assente no compromisso com a verdade, com as pessoas e com as histórias que merecem ser contadas.
Segundo afirmou, a actividade jornalística coloca constantemente à prova a paciência, a resistência e a humanidade dos seus profissionais, mas oferece também a possibilidade de conhecer realidades diversas, testemunhar acontecimentos marcantes e preservar memórias colectivas.
Para Lucilene Salomão, o reconhecimento recebido não representa um ponto de chegada, mas antes um incentivo para prosseguir o trabalho com ética, profissionalismo, respeito e consciência.
“O certificado que hoje recebi não é um ponto de chegada. É apenas uma lembrança discreta de que o caminho continua”, concluiu.
JMV/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar