
Teerão, 30 Mai (Inforpress) – A televisão estatal iraniana afirmou hoje que o memorando de entendimento em discussão entre Washington e Teerão estipula a libertação de 12 mil milhões de dólares em ativos iranianos congelados no prazo de 60 dias.
A estação iraniana, a IRIB, refere ter tido acesso a uma transcrição parcial do documento que está a ser negociado.
A Casa Branca desmentiu na quarta-feira, denunciando como “uma completa invenção”, uma notícia anterior da IRIB que mencionava um projeto de acordo-quadro com os Estados Unidos, referindo o compromisso de Washington em suspender o bloqueio naval no estreito de Ormuz.
Segundo adianta a estação de televisão hoje, os Estados Unidos comprometem-se, no acordo em negociação, “a dar ao Irão acesso total a 12 mil milhões de dólares [10,3 mil milhões de euros] dos seus ativos em 60 dias, para que esses recursos possam ser transferidos e gastos em bancos do país ou países de destino desejados pelo Irão, sem restrições”.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse na sexta-feira que não há “nenhuma troca de dinheiro neste momento” estabelecida nas negociações.
A questão dos ativos iranianos congelados no estrangeiro pelas sanções dos EUA é um dos pontos-chave nas negociações em curso para um acordo que ponha fim ao conflito no Médio Oriente.
A agência de notícias iraniana ISNA noticiou na quinta-feira que Teerão queria obter a libertação de 24 mil milhões de dólares (20,5 mil milhões de euros), “com metade a ser disponibilizada assim que o memorando de entendimento for anunciado”.
Estima-se que o valor dos ativos iranianos congelados no estrangeiro se situe entre os 100 mil milhões e os 123 mil milhões de dólares (entre 85 mil milhões e 105 mil milhões de euros), segundo a comunicação social iraniana.
A República Islâmica exige ainda o estabelecimento de um mecanismo claro para garantir a libertação dos restantes fundos, de acordo com uma “fonte informada” citada esta semana pela agência de notícias iraniana semioficial Tasnim.
Em relação ao estratégico estreito de Ormuz, praticamente isolado por Teerão desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o protocolo estipula, segundo a IRIB, que “o Irão tem autoridade exclusiva para determinar a natureza dos navios em trânsito”.
Além disso, avança a televisão, o acordo permite que “qualquer embarcação cuja carga seja considerada ameaçadora ou cujo operador final seja hostil ao Irão […]não seja autorizada a utilizar as rotas designadas”.
Washington, que mantém um cerco rigoroso aos portos iranianos, tendo já impedido a passagem de mais de 115 navios comerciais com destino ao Irão, tem reafirmado a sua oposição à manutenção do controlo iraniano sobre esta passagem marítima.
Inforpress/Lusa/Fim
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