Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – A presidente do conselho de administração da Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), Leonilde Santos, defendeu hoje a importância de uma comunicação clara e transparente sobre as decisões regulatórias, sobretudo nos sectores da energia e da água.
A posição foi expressa durante a abertura do workshop de formação “Regulação Independente e Sectores Regulados pela ARME: Compreender para Informar com Rigor”, dirigido a profissionais da comunicação social, no âmbito do plano de actividades da instituição para 2026, a decorrer de 12 a 13 de Outubro, na cidade da Praia.
Segundo Leonilde Santos, a ARME, enquanto autoridade reguladora independente, tem a responsabilidade acrescida de assegurar o equilíbrio entre a sustentabilidade económico-financeira dos operadores de serviços essenciais e a efectiva protecção dos direitos e interesses legítimos dos consumidores.
A responsável garantiu que essa salvaguarda se concretiza mediante o cumprimento do princípio da legalidade.
“Todas as nossas decisões são baseadas na lei e devidamente fundamentadas. Qualquer decisão do regulador tem de ter respaldo legal e, sob este princípio, a divulgação da informação deve ser transparente para criar a confiança do público nas deliberações”, frisou a PCA.
Leonilde Santos acrescentou que a transparência é essencial para fortalecer a credibilidade das instituições, particularmente em matérias de grande impacto social, como o cálculo do preço dos combustíveis e a fixação das tarifas de electricidade.
A gestora classificou os jornalistas como “parceiros estratégicos” na difusão das competências da ARME, considerando-os elos centrais na tradução de dados técnicos e complexos numa linguagem simples, acessível e rigorosa para os cidadãos.
Salientou ainda que a iniciativa visa ouvir as preocupações e sugestões dos profissionais para aperfeiçoar os canais de comunicação da agência.
Por seu lado, o presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, congratulou-se com a parceria com a ARME e enfatizou o valor da formação contínua no exercício de um jornalismo rigoroso, responsável e imparcial.
Geremias Furtado lamentou a fraca adesão dos profissionais a acções de capacitação, atribuindo o cenário à percepção de domínio de certas matérias por parte de alguns jornalistas, mas também aos constrangimentos de gestão das empresas de comunicação social, que nem sempre dispensam os jornalistas para estas formações.
O líder da AJOC ressaltou que a cobertura jornalística de domínios sensíveis como os preços da energia e dos combustíveis exige conhecimento técnico, capacidade analítica e de questionamento para explicar com clareza os factores determinantes das tarifas e as responsabilidades de cada entidade.
Neste sentido, o presidente do sindicato apelou à ARME para que mantenha um diálogo fluido e permanente com os órgãos de comunicação social, garantindo o acesso atempado aos dados públicos e prestando os esclarecimentos necessários às questões suscitadas pelos jornalistas.
JBR/CP
Inforpress/Fim
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