Amélia Araújo deixa uma marca “indelével” de saudade e gratidão pelo seu legado - Associação dos Combatentes

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Amélia Araújo deixa uma marca “indelével” de saudade e gratidão pelo seu legado - Associação dos Combatentes
19/02/26 - 03:56 pm

Cidade da Praia, 19 Fev (Inforpress) – A Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP) lamentou hoje a morte da combatente Amélia Araújo, conhecida como “Canhão de Boca da Luta”, esta madrugada na Praia, afirmando que deixa uma marca indelével de saudade e gratidão.

Em comunicado, a ACOLP sublinhou que a sua contribuição foi “tão importante” quanto a acção armada, e indispensável para o seu sucesso.

Conhecida como o “Canhão de Boca da Luta”, a mesma fonte salientou que Amélia Araújo desempenhou um papel decisivo durante a Luta de Libertação Nacional junto dos combatentes e da população em geral da Guiné que podiam seguir com entusiasmo os avanços da acção combativa do PAIGC (Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde).

Ainda, realçou a sua “valiosa” contribuição junto dos próprios soldados portugueses, a quem eram dirigidos programas específicos denunciando a política colonial e demonstrando a inutilidade de sacrificarem suas vidas fazendo uma luta que não era sua.

“Para além do seu profissionalismo, dedicação, entrega e tenacidade como directora da Rádio Libertação, Amélia Araújo foi sempre uma pessoa humilde, afável e generosa que cativou os corações de todos os que com ela privaram ou acompanharam a trajetória da sua vida”, reconheceu.

Segundo a Associação dos Combatentes, Amélia Araújo deixa uma “marca indelével de saudade e de gratidão pelo seu legado”.

Amélia Rodrigues de Sá e Sanches de Figueiredo Araújo faleceu esta manhã na Cidade da Praia aos 93 anos, na sequência de doença prolongada.

De origem cabo-verdiana, nasceu em Angola a 11 de Agosto de 1933 e era viúva de José Eduardo de Figueiredo Araújo, também um alto dirigente do PAIGC durante a luta armada e depois, no Cabo Verde independente.

Em Junho de 1961, logo após ter ocorrido a evasão de 60 africanos que clandestinamente saíram de Portugal para se juntarem às lutas de libertação em África, evento conhecido como a “Fuga dos 60”, Amélia Araújo, evidenciou, conforme a ACOLP, a sua coragem e determinação ao fugir com a sua filha de apenas 3 meses para se juntar ao grupo de nacionalistas angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos e são- tomenses que já se encontravam reunidos em França.

Depois de algum tempo a trabalhar no secretariado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Amélia Araújo decide com o marido juntar-se ao PAIGC em Conakry.

Foi então que, em 1964, começou a trabalhar na rádio, então com equipamentos muito fracos e com enormes dificuldades de ordem material e de recursos humanos.

Mas em 1967, após uma curta formação na União Soviética e a obtenção de equipamentos mais eficazes oferecidos pela Suécia, Amélia assumiu a função de directora da Rádio Libertação e se tornou na voz principal da luta e do combate ao colonialismo.

"Com a sua voz clara e a perspicácia do seu desempenho como produtora, animadora e locutora principal da Rádio Libertação, Amélia Araújo conseguiu fazer da Rádio uma importante arma de luta pelas independências da Guiné e de Cabo Verde", destacou a ACOLP.

À família enlutada a Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria endereçou um abraço de solidariedade e carinho.

ET/ZS

Inforpress/Fim

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