Alunos protestam contra a prova nacional de Matemática e exigem redução do seu peso na classificação final

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Alunos protestam contra a prova nacional de Matemática e exigem redução do seu peso na classificação final
08/06/26 - 02:50 pm

Cidade da Praia, 08 Jun (Inforpress) – Centenas de estudantes de diferentes escolas secundárias manifestaram-se hoje na cidade da Praia para contestar a prova nacional de Matemática, realizada na semana passada, alegando que a mesma apresentou um grau de dificuldade muito superior ao esperado. 

Durante o protesto, os alunos defenderam a redução do peso da prova na classificação final, actualmente fixado em 30%, argumentando que um único teste não deve ter um impacto tão significativo no percurso académico de um estudante.

Arianna da Silva, estudante da Escola Técnica Cesaltina Ramos, afirmou que a prova exigiu um nível de raciocínio muito acima daquele que foi trabalhado nas salas de aula.

“Imaginem alunos que estudam durante o 10.º, 11.º e 12.º anos e depois terem de realizar um único teste que acaba por influenciar decisivamente o resultado de todo um ano letivo. Não deveria ser um único teste a definir o futuro de um aluno”, defendeu.

Segundo a estudante, houve casos de alunos que sofreram ataques de pânico e fadiga durante a realização do exame, devido à pressão e à dificuldade das questões apresentadas.

Também Nilson Leite, considerado o melhor aluno da Escola Técnica Cesaltina Ramos, criticou o conteúdo e a linguagem utilizada na prova. 

O estudante afirmou que muitas questões incidiam sobre matérias que não tinham sido abordadas durante as aulas e que a formulação dos enunciados dificultou a compreensão dos exercícios.

“A linguagem utilizada era pouco acessível e muito difícil de interpretar, bastante diferente daquela a que estamos habituados nas salas de aula”, afirmou.

Nas redes sociais surgiram especulações sobre a eventual utilização de ferramentas de Inteligência Artificial na elaboração do exame, alegadamente o uso do ChatGpt.

Contudo, Nilson Leite considerou não existir qualquer confirmação sobre essa possibilidade.

Os estudantes defendem diferentes soluções para ultrapassar a situação.

Enquanto alguns propõem a repetição da prova com uma linguagem mais acessível, a maioria reivindica a redução do peso da avaliação para valores entre 10% e 20%.

Celiza Cabral, estudante do Liceu Domingos Ramos, sublinhou que o problema não resulta de falta de preparação por parte dos alunos.

“Houve muita dedicação e preparação para esta prova. No entanto, o exame tinha um nível de dificuldade muito elevado e incluía matérias que não eram do nosso conhecimento”, afirmou.

A contestação ganhou ainda mais força após a suspensão da prova nacional de Matemática na ilha do Sal, depois da escola constatar que a grande maioria dos conteúdos presentes no exame não tinha sido lecionada aos alunos ao longo do ano letivo.

Para muitos estudantes, esta decisão reforça os argumentos apresentados pelos manifestantes noutras ilhas, que defendem uma revisão urgente da prova e dos critérios de ponderação aplicados.

Os alunos alertam ainda para as consequências que uma classificação baixa poderá ter nos processos de candidatura ao ensino superior e a bolsas de estudo, sobretudo numa fase em que várias instituições já iniciaram os seus períodos de admissão.

Apesar do descontentamento, os manifestantes afirmam estar disponíveis para o diálogo e aguardam uma resposta das autoridades educativas.

Mas caso não sejam tomadas medidas, admitem avançar com novas ações de protesto nos próximos dias, mas precisamente com manifestação em frente do Palácio do Governo.

Contudo, o Ministério da Educação, em comunicado divulgado no domingo, 07, explicou que o processo de elaboração, validação e correção das provas nacionais decorre com rigor técnico e científico, assegurando que a suspensão de exames apenas ocorre em situações excecionais previstas.

JBR/AA

Inforpress/Fim 

 

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