Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde enfrentam desafios de sustentabilidade para 2025

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Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde enfrentam desafios de sustentabilidade para 2025
04/01/25 - 04:45 pm

Cidade da Praia, 04 Jan (Inforpress) –  A sustentabilidade dos programas é o maior desafio enfrentado pelas Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde, anunciou hoje o director Ricardo Andrade, destacando a redução do apoio internacional e a urgência de reforçar o financiamento local.

Ricardo Andrade, que falava à Inforpress sobre as perspectivas para este ano, sublinhou que, apesar da avaliação positiva dos últimos anos, a sustentabilidade dos programas continua a ser o maior desafio para 2025.

"O maior desafio é a sustentabilidade dos programas, ao longo desses 40 anos, nós temos contado com parceiros internacionais para a mobilização de recursos para o financiamento dos nossos programas", apontou.

Segundo explicou, a instituição que dirige tem enfrentado desafios significativos, especialmente devido à diminuição do apoio internacional, que representa apenas 25% dos recursos necessários, e à classificação de Cabo Verde como país de rendimento médio.

Adiantou que durante os últimos 40 anos, mais de 500 crianças passaram pelas Aldeias Infantis SOS no país.

“Mais de 50% dessas crianças vivem hoje de forma plenamente integrada, com carreiras estáveis e contribuindo para a sociedade”, afirmou Andrade, que destacou o impacto que a organização tem tido na vida das crianças e na protecção das famílias mais vulneráveis.

Explicou que neste momento o foco é apostar fortemente no trabalho preventivo junto às comunidades e, no âmbito do programa de reforço familiar lançado em 2024 na Ilha do Fogo e em três zonas da cidade da Praia, reforçar as famílias e garantir que as crianças possam crescer em ambientes seguros e estáveis.

“Acreditamos que o melhor lugar para uma criança é junto da sua família, trabalhamos para abordar as causas da vulnerabilidade, oferecendo formação em literacia parental e criando oportunidades de geração de renda”, explicou o director.

Na mesma linha, a organização tem investido em programas de formação digital em ambas as aldeias, com o intuito de promover a educação e a capacitação tanto de crianças quanto de mães.

Apesar dessas iniciativas, apontou que a sustentabilidade financeira permanece um desafio central, tendo defendido a necessidade de um engajamento mais estruturado por parte do Governo, sugerindo a implementação de contratos-programa para assegurar previsibilidade e continuidade no financiamento.

“Somos uma mão amiga que auxilia o Estado, mas precisamos de um suporte mais consistente para manter a nossa missão”, afirmou.

As Aldeias Infantis SOS também têm intensificado os esforços para mobilizar padrinhos e madrinhas, que têm sido essenciais no financiamento dos programas.

Andrade concluiu expressando esperança de que, com o apoio do Governo e da sociedade, 2025 seja um ano marcado por avanços e maior tranquilidade para as famílias e crianças em situação de vulnerabilidade.

AV/HF

Inforpress/Fim

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