
Ribeira Grande, 21 Ago (Inforpress) – A cidadã Maria Salomé Ferreira denunciou hoje o tratamento que considera “chocante e desumano” dispensado ao irmão, acamado, de 66 anos, durante a transferência do Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, para Santo Antão.
Em declarações à Inforpress, a acompanhante explicou que o irmão, que está acamado há 16 anos, foi transferido do Hospital João Morais, em Santo Antão, para o Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, após uma situação crítica de falta de alimentação e hidratação.
Segundo Salomé Ferreira, no dia 13 de Agosto, com a aparente melhoria do irmão, o mesmo recebeu alta do Hospital Baptista de Sousa.
No entanto, conforme relatou a mesma fonte, devido à invalidez do paciente, ele viajaria de ambulância e como a da Ribeira Grande, Santo Antão, estava em São Vicente, ela fez todas as diligências para que o irmão fosse transportado nessa ambulância.
“Mal sabíamos o que nos aguardava quando os ajudantes de serviço geral trouxeram o meu irmão junto à ambulância. Houve um episódio de desrespeito e humilhação por parte de uma enfermeira identificada mais tarde como Deizi”, salientou.
De acordo com Salomé Ferreira, após o paciente ser colocado na ambulância, a enfermeira entrou na mesma viatura e, “com uma atitude arrogante”, ordenou que o paciente e a acompanhante fossem retirados da ambulância.
“Ela não explicou o que estava acontecendo, apenas ouvi a falar com outras pessoas referindo-se à ajuda de custo. Posteriormente, regressou à ambulância com desdém, ordenou que o meu irmão fosse retirado da ambulância e disse para eu ir reclamar com quem quisesse”, alegou.
Depois de toda a alegada humilhação, segundo Salomé Ferreira, ela e o irmão foram “obrigados” a esperar por outra ambulância, proveniente do Porto Novo, na sexta-feira, dia 16, que realizou o transporte do paciente.
Salomé Ferreira expressou a sua indignação com a forma como foram tratados.
“Espero que a situação seja investigada e que medidas sejam tomadas para evitar que outros passem por situações semelhantes”, afirmou.
A Inforpress contactou a enfermeira Deizi, que esclareceu que nesse dia estava de folga e foi escalonada para levar um paciente transferido do Hospital João Morais para o Hospital Baptista de Sousa.
Segundo a enfermeira, a partir do momento em que entregou o paciente não tinha mais nenhuma responsabilidade, pois estava automaticamente de folga.
No entanto, segundo a mesma fonte, a administração do Hospital Baptista de Sousa ligou-lhe a informar que o paciente de Santo Antão havia recebido alta e, devido à sua condição, teria de viajar na ambulância.
“Até aí, não me opus, tratei com a administração e, inclusive, pedi para que a transferência fosse feita no navio Chiquinho, que é mais arejado, mas tais condições não foram atendidas e disseram que a ajuda de custo também seria cancelada”, recordou.
Deizi afirmou que, devido à atitude da administração do “Baptista de Sousa”, resolveu não trazer o paciente, não pela falta de pagamento da ajuda de custo, mas devido às condições do outro navio que não é arejado. Estando o paciente sob os cuidados do Hospital em São Vicente, resolveu não trazer o paciente para Santo Antão.
“Se era uma transferência do hospital de São Vicente para Santo Antão, então o Hospital Baptista de Sousa é que tinha de enviar uma enfermeira de São Vicente para Santo Antão”, salientou.
LFS/CP
Inforpress/Fim
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