Portugal: “A música é a arte de que gosto e estou sempre nela a transmitir as minhas mensagens” - Morgadinho

17-06-2024 8:07

Lisboa, 17 Jun (Inforpress) - O instrumentista, cantor e compositor Morgadinho define a música como uma arte de que gosta, que está “num bom caminho” com a nova geração, que “tão bem tem sabido” levar a cultura cabo-verdiana além-fronteiras.

A afirmação foi feita à Inforpress, a partir de Paris (França), onde reside, sobre a menção honrosa com que foi distinguido na XIII edição dos Cabo Verde Music Awards (CVMA) e que este final de semana recebeu o prémio das mãos da cantora Cremilda Medina, quem recebeu a menção por ele no evento que aconteceu no dia 01 de Junho, na cidade da Praia.

“Esse é o reconhecimento de que vivi toda uma vida em prol da cultura da nossa terra. Desde 1950, depois de ter feito a formação musical passei a compor. A primeira composição compus em 1953 para carnaval e continuei a fazer música de carnaval até 1957. Depois deixei Cabo Verde e fui para Guiné [Bissau] e continuei sempre na música, porque é uma arte que eu gosto e, por conseguinte, estou sempre nela, transmitindo as minhas mensagens”, frisou.

Para Morgadinho, que ficou na cidade de Bissau até 1963, altura que foi para Dacar (Senegal), tendo ficado por três anos, a música cabo-verdiana está “num bom sentido e já não era sem tempo”, apontando para uma nova geração que tem transmitido a cultura do arquipélago e tem feito um “excelente trabalho”, já que na sua opinião, “Cabo Verde depende muito da sua cultura e da sua música”.

“A Cremilda ganhou o prémio da Morna do Ano [CVMA] e é qualquer coisa extraordinário, porque transmite o valor lá fora. Nós os compositores, mas também intérpretes como a Cremilda Medina, a Nancy Vieira, a Lura, Assol Garcia e outras, são importantes para a nossa terra. Historicamente, Cabo Verde é um país pobre, mas tem a sua música, identifica-se lá fora, é um trabalho que a Cesária [Évora] fez e que outros intérpretes continuam a fazer tão bem”, considerou.

Em vésperas de completar 93 anos, Joaquim Soares de Almeida, popularmente conhecido como Morgadinho, lembrou ainda que em 2019, quando foi condecorado com o Primeiro Grau da Ordem do Dragoeiro pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, estava orgulhoso, também por saber que os netos possam dizer um dia que o avô fez algo para a cultura de Cabo Verde.

“Gostaria de continuar, porque a música não tem idade, mas a idade de um ser humano não perdoa. Eu gostaria ainda de fazer qualquer coisa para Cremilda, mas só Deus é que sabe”, concluiu a partir da sua residência, em Paris, onde vive desde 1972, depois de ter passado alguns anos em Roterdão (Países-Baixos).

Morgadinho nasceu em 1931, na Praia Branca (São Nicolau), tendo ido para Mindelo (São Vicente), com dois anos, foi membro do grupo Voz de Cabo Verde, colaborou com vários artistas, para além de diferentes composições gravadas

Na gala dos CVMA deste ano, também receberam as menções honrosas, Palinh Vieira, Tey Santos, Djim Job e Kalu Monteiro.

DR/AA

Inforpress/Fim

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