Santa Catarina: Músico e compositor quer ensino da história e trabalho dos “grandes artistas” nas escolas

18-02-2024 20:36

Assomada, 18 Fev (Inforpress) – O músico e compositor Edys Borges considerou hoje a necessidade de divulgar, nas escolas e nos espaços públicos do país, a história e o trabalho cultural dos artistas para manter vivo os trabalhos desenvolvidos.

Este artista natural da cidade de Assomada, município de Santa Catarina, um dos vocalistas do grupo Gama 80, lançou este repto em declarações à imprensa, ao anunciar o lançamento hoje do seu mais recente single “N´kreu simé”, nas plataformas digitais.

Segundo o músico, é necessário trabalhar mais nessa parte cultural dentro do ensino e da divulgação, deixando um apelo ao ministério da Cultura neste sentido, defendendo que a geração actual “quase nada conhece ou sabe” dos grandes artistas cabo-verdianos de renome nacional e internacional a nível da música, mas também em outras áreas.

Sublinhou que hoje se faz música, mas de outros estilos, uma vez que os artistas que estão a surgir agora pensam mais na parte comercial e já o tradicional não é movido pelo comercial, mas sim pelo preservar da raiz, o que exige “amor”.

A título de exemplo, Edys Borges falou de muitos jovens que ao ouvirem alguém falar do Norberto Tavares, estes nem sabem quem é, a sua história, quanto mais do que tratava as suas músicas e não somente a este.

Mencionou outros nomes e de outras áreas culturais, como também de Narciso Freire, fundador da Oficina de Teatro e Comunicação de Assomada (OTACA) e “grande figura” do teatro cabo-verdiano, falecido no dia do Carnaval, em Assomada.

Aliás, recordou que Chicho, como conhecido Narciso Freire, deu “um grande contributo” ao teatro cabo-verdiano, mas, mesmo sendo de Santa Catarina, Assomada, poucas são as pessoas aqui que conhecem a sua história e o seu trabalho, acreditando que é possível que a sua contribuição seja mais recordada em São Vicente do que aqui, pois, “ninguém se importou em conhecer, registar e divulgar o seu trabalho”.

Sobre o seu trabalho pessoal, Edys Borges explicou que tem cinco músicas nas plataformas digitais e mais de dez ainda por gravar e que o seu estilo musical é diversificado, desde coladeira, funaná lento, batuque, morna, mas também zouk, reforçando que as suas mensagens reflectem a actualidade e que alertam também para a necessidade de mudanças.

Sobre a cultura, na vertente musical, defende que é preciso também que os produtores incentivam os jovens a trabalhar a parte tradicional, considerando a música como sendo um “sector vital” na preservação da diversidade cultural e “promoção da criatividade e da coesão”.

Edys Borges vive há 26 anos nos Países Baixos, mas diz visitar o país frequentemente, deixando em aberto um apelo aos antigos membros do Gama 80, que ainda se encontram vivos, para reactivarem o grupo mesmo que não seja com o mesmo nome.

Uma forma, sintetizou, de resgatar aquilo que conseguiram construir em Santa Catarina de Santiago, assim como outros grupos da região Santiago Norte que hoje já se encontram extintos.

MC/AA

Inforpress/Fim 

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