Jovem artista cabo-verdiana revela sua jornada de autoconhecimento através da arte (c/vídeo)

08-03-2024 0:01

Cidade da Praia, 08 Mar (Inforpress) – Eveline Amado, uma jovem artista cabo-verdiana, compartilhou com a Inforpress, no âmbito do Dia Internacional da Mulher, a sua jornada de autoconhecimento através da arte, aspirando que as mulheres cabo-verdianas sejam cada vez mais reconhecidas nesse campo artístico.

Nascida na cidade da Praia, residente no Brasil, de nome artístico Evy Amado, sempre nutriu um fascínio pelo desenho.

No entanto, foi em 2022, quando cursava Arquitetura e Urbanismo, que “mergulhou de cabeça” no mundo da pintura.

“Foi lá que tive a oportunidade de estudar disciplinas sobre Arte e História da Arte, despertando em mim um interesse ainda maior pela área, facilitado pela disponibilidade de materiais ali”, explicou a artista à Inforpress.

“Então, comecei a pintar mulheres e depois surgiu a ideia de retratar mulheres e cabelos. Como já desenvolvia oficinas de tranças em algumas escolas públicas em celebração ao Dia de África, decidi retratar essa experiência em telas”, acrescentou.

Com menos de dois anos na área, Evy Amado realizou sua primeira exposição individual em janeiro do ano passado, no Brasil, uma conquista que não esperava alcançar tão cedo.

Neste momento, está se preparando para sua próxima exposição, que acontecerá de 27 de Março a 27 de Abril, no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Intitulada "Rêgo, Trança bo Caminho de Volta", este projecto reflecte uma realidade que a ajudou a reconectar com as suas raízes.

“As tranças são um penteado antigo e ainda presente na cultura cabo-verdiana e africana. Desempenhou um papel significativo na minha adolescência e agora é uma parte importante das minhas obras”, ressaltou.

Com essa exposição, perspectiva não apenas celebrar

“a beleza dos nossos cabelos”, mas também promover uma mensagem de autoaceitação e orgulho da herança africana.

“Quero transmitir a mensagem de que não há nada de errado com os nossos cabelos, eles são uma parte valiosa da nossa identidade”, disse Evy Amado, recordando os ‘bullying’ que enfrentou devido ao seu cabelo crespo.

A artista revelou à Inforpress que sua inspiração vem principalmente das suas leituras, especialmente da escritora nigeriana Chimamanda Adichie.

Num dos seus livros ela explora a experiência de uma nigeriana estudando nos Estados Unidos e aborda questões relacionadas aos cabelos.

“Vi minha própria jornada refletida nessa experiência: uma menina africana cabo-verdiana a estudar no Brasil, isso me inspirou muito a contar a minha história através das pinturas”, disse, acrescentando que antes de iniciar uma obra sempre realiza extensas pesquisas.

“Para esta exposição, realizei uma pesquisa de campo em Sucupira, onde pude observar e fotografar pessoas fazendo tranças”, justificou.

Futuramente, a jovem almeja colaborar com uma estilista na criação de uma colecção de roupas, em que suas pinturas serão incorporadas às peças.

Evy Amado lamentou, por outro lado, o facto de ainda existir uma “sub-representação” das mulheres no mundo da arte em Cabo Verde.

“Espero que possamos conquistar mais espaço e reconhecimento como artistas e profissionais”, perspectivou.

A artista deixou ainda uma mensagem encorajadora no sentido de que “nunca é tarde para começar algo novo”.

“Nunca é tarde para seguirmos as nossas paixões, devemos buscar aquilo que nos faz felizes. Encontrei minha verdadeira vocação na arte aos quase 30 anos e espero inspirar outros a fazerem o mesmo”, finalizou.

 

TC/AA

Inforpress/Fim

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