Governo quer integrar os faróis nos circuitos do turismo cultural

03-04-2024 14:12

Cidade da Praia, 03 Abr (Inforpress) – O Governo quer integrar os faróis nos circuitos do turismo cultural dos municípios onde se encontram, de modo a valorizá-los e conservá-los enquanto património histórico nacional de segurança marítima, mas também como centros interpretativos de apoio ao turismo.

A informação foi avançada hoje, pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, no acto de lançamento do Projecto de Valorização dos Faróis Históricos de Cabo Verde, que decorreu no Farol Maria Pia, na Prainha, cidade da Praia.

Orçado em 70 mil contos, o projecto conta com o financiamento da Cooperação Espanhola, através da Agência Espanhola de Cooperação e Desenvolvimento (AECID) em 63 mil contos e 7 mil contos do Governo, terá a duração de três anos e está alinhado com a estratégia do Governo no que concerne à valorização do património histórico e cultural nacional e sua integração no contexto turístico.

Segundo Abraão Vicente, o projecto contempla ainda a parceria técnica que engloba oito faróis do país, tendo destacado o resgate do Farol de Mouro Negro na Boa Vista pelo seu papel “histórico” que desempenhou e o Farol Dona Maria Pia (Praia), por ser uma estrutura emblemática.

“O nosso objectivo não é só recuperar as estruturas físicas, mas instalar centros interpretativos, pequenos museus e dar também às cidades, aos sítios onde estão localizados, a oportunidade de ter serviços de apoio ao turismo, nomeadamente centros informativos, restauração”, precisou.

A ideia, segundo o governante, é devolver às cidades e aos municípios onde se encontram os faróis de referência, o património não só reabilitado, mas também com novas utilidades urbanas e contemporâneas a esses instrumentos.

Entretanto, lembrou que os faróis continuarão a ser um instrumento fundamental para garantir a segurança de navegação, mas também para garantir o próprio legado histórico patrimonial da instituição.

Adiantou que nesta primeira fase foram seleccionados os faróis que têm características históricas, patrimoniais, de memória, que desempenharam um papel histórico antes da independência e durante toda a formação de Cabo Verde.

Na ocasião, Abraão Vicente deixou um alerta às gestões municipais, neste caso a da cidade da Praia, onde está localizado o farol Dona Maria Pia, no sentido de que nem tudo, e nem todos os espaços nas cidades e nos municípios devem ser ocupados e ocultados por novas construções, realçando que é preciso preservar para dar um espaço para que esses patrimónios respirem.

“É preciso, cada vez mais, que nós, como Estado, tenhamos também a decência moral de afastar novas construções dos centros patrimoniais, e aqui volto ao caso do Campo de Concentração do Tarrafal, que está na lista dos itens a classificar para património da humanidade, que a Unesco recomenda um cinturão de segurança, onde não se deve construir, onde não se deve ter novos monumentos”, sublinhou.

O ministro apontou também o caso da Cidade Velha, classificada como Património Mundial da Humanidade onde, ao longo desses anos, os vários mandatos municipais e também do Governo não conseguiram evitar que os patrimónios sejam completamente absorvidos por construções não só modernas, mas de pouco valor estético e patrimonial, que não valorizam esses patrimónios.

“Ao reabilitarmos esse património, nós esperamos que a municipalidade, não só esta, mas as outras também, criem um cinturão à volta com espaço público, não só para estacionamento, mas com praças, com espaços onde os cidadãos podem, de facto, se aproximar desse património histórico”, concluiu.

O projecto resulta do protocolo assinado pelo MCIC, através do IPC e o Ministério do Mar, através do Instituto Marítimo Portuário e nesta primeira fase irá beneficiar oito faróis, nomeadamente Dona Maria Pia (Praia), Farol de Ponta Preta (Tarrafal), Farol do Leste (São Domingos, ilha de Santiago), Fontes Pereira de Melo (Farol do Boi, Santo Antão), Farol Don Luís I e Farol Dona Amélia (São Vicente), Farol Morro Negro (Boa Vista) e Farol São José no Maio.

O acto contou também com a presença da embaixadora do Reino de Espanha em Cabo Verde, Ana Paredes.

AV/ZS

Inforpress/Fim

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