“Vinte e seis por cento das pessoas com deficiência sem qualquer nível de escolaridade” – especialista

Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – A especialista Adelsia Almeida informou hoje que 26 por cento (%) das pessoas com deficiência em Cabo Verde “não tem qualquer nível de escolaridade”, e, neste sentido, defendeu que há necessidade de uma “discriminação positiva”.

Os dados apresentados por esta especialista constam do “Retrato da situação da deficiência em Cabo Verde”, apresentando hoje na Cidade da Praia, durante a I Conferência Internacional para Inclusão, com o tema “Deficiência no centro da atenção”, organizada pela Colmeia, em parceria com o Governo e Organização Mundial da Saúde, entre outros parceiros.

Os dados do Instituto Nacional de Estatísticas, informou, dão contam que existem 104 mil pessoas com deficiência em Cabo Verde, entretanto 26% dessas pessoas não têm qualquer nível de escolaridade e apenas 3.1 % têm ensino superior.

Conforme disse, no contexto nacional os dados apontam que a nível de escolaridade para as pessoas sem deficiência estão muito “mais avançadas e são muitos mais animadores” do que para as pessoas com deficiência.

Adelsia Almeida precisou que há necessidade de uma “discriminação positiva” e de “acções afirmativas” para diminuir essa taxa nas pessoas com deficiência.

Esses dados, indicou, estão ainda a ser trabalhados e vão ser apresentados no dia 08 de Novembro, mas de forma “mais abrangentes, mais eficazes e mais explicativos”, sobre a condição de vulnerabilidade que essas pessoas estão a passar.

A nível do acesso à saúde, disse que a apresentação vai trazer para o debate relatos de situações de “exclusão e de alguma discriminação”, que, segundo disse, mostram que o país tem um “desafio enorme” a nível da capacitação e de melhoria de acesso físico e económico e a nível da comunicação.

“Se nós reparamos todas as campanhas de sensibilização e de educação em função da saúde não são inclusivas”, advertiu, porque, ajuntou, passam na televisão e são para a população em geral, e o estudo mostra que as pessoas com deficiência intelectual e deficiência auditiva e visuais as estratégias de comunicação que o país tem definido são “extremamente excludentes”.

Adelsia Almeida considerou ainda que o país tem um quadro jurídico-legal “bastante favorável”, tem “políticas definidas” e a lei de base está num “processo avançado de regulamentação”, mas o desafio que se coloca é na implementação prática desses instrumentos político-legais.

AM/AA
Inforpress/Fim

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