VIH/Sida: Trinta e seis anos após o primeiro caso, Cabo Verde definiu metas e respostas para dar combate à epidemia (c/vídeo)

Cidade da Praia, 01 Dez (Inforpress) – Trinta e seis anos após o diagnóstico do primeiro caso de VIH/Sida em Cabo Verde, o país contabiliza hoje 5.500 pessoas que vivem com a síndrome da imunodeficiência adquirida e definiu metas para maiores respostas a nível de prevenção e tratamento.

Para falar desta caminhada, nas vésperas do Dia Mundial da Luta contra a Sida, que se assinala a 01 de Dezembro, a Inforpress falou com a Secretaria Executiva do Comité de Coordenação do Combate à Sida (CCS-Sida), Celina Ferreira, que destacou os esforços “imensuráveis” do País para dar resposta à epidemia.

“Desde os anos 86, Cabo Verde tem esforçado para dar resposta à epidemia do VIH/Sida, tendo montado um conjunto de acções visando oferta de testes nas comunidades, os diagnósticos … A partir de 2004, houve inovação, com a introdução do tratamento antirretroviral”, considerou, lembrando que o arquipélago tem uma prevalência de 0.6% de VIH e cerca de três mil pessoas em tratamento, sendo que destas mais de 60% são mulheres.

Celina Ferreira, que destaca a caminhada que Cabo Verde está fazendo para o cumprimento dos ODS, ou seja, alcançar a meta de eliminação da Sida na população em geral em 2030, indicou ainda a intenção da eliminação de transmissão vertical para 2024.

Conforme aquela responsável, em Cabo Verde a resposta à epidemia avançou muito ao longo destes 37 anos, a ponto que dos três mil infectados com VIH a receber tratamento de antirretroviral, cerca de 70% já tenham a carga viral indetectável.

“Com estes dados relacionados com as pessoas que estão a seguir tratamento de antirretroviral, a carga viral do paciente é indetectável, logo não pode transmitir e assim ajuda o país na eliminação”, disse, sublinhando que a dinâmica da resposta de VIH requer que cerca de 90% das pessoas tenham a carga viral suprimida.

“Cabo Verde está já em 70% da carga viral indetectável, o que é um grande ganho para a resposta à epidemia”, ajuntou.

Ainda de acordo de Celina Ferreira, no País cerca de 90% de pessoas que vivem com VIH são pessoas de condição socioeconómica precária, pelo que são encaminhadas aos outros parceiros para respostas socioeconómicas.

“Temos uma adesão de 78% dos doentes aos tratamentos, ou seja, pessoas com mais de um ano a seguir tratamento e a ter sucesso, mas a adesão tem de ser mantida e reforçada com atendimento psicossocial, com autonomia, levantamento de autoestima, conhecimento dos direitos humanos e muito mais”, acrescenta, ressaltando que a luta contra Sida é dinâmica e requer parceria, energia, esforço e participação activa das pessoas que vivem com VIH.

Refere também que no País existe um pacote definido de cuidados a VIH que começa pela informação, aconselhamento, atendimento psicológico e oferta de testes e de preservativos.

“As pessoas diagnosticadas com VIH positivo são automaticamente oferecidas tratamento antirretroviral, acompanhamento psicológico ao doente e à família, e seguimento biológico regularmente, para poderem controlar a carga viral”, assegurou.

O tratamento, segundo disse, é gratuito e está disponível em todas as estruturas de saúde no país, e a partir do próximo ano nas ONG, como Verdefam e Morabi, que passam a complementar o serviço com tratamento.

A tolerância em relação às pessoas que vivem com VIH, segundo afirmou, é de 30%, conforme os últimos dados do inquérito da saúde reprodutiva.

“Ainda existe auto-estigma e actos discriminatórios e as pessoas que vivem com a doença não falam da sua condição com outras pessoas a não ser com o pessoal da saúde”, explicou.

Questionada se os direitos das pessoas com VIH são respeitados em Cabo Verde, a secretaria Executiva da CCS-Sida referiu-se sobre à existência de uma lei aprovada na Assembleia Nacional que dá proteção às pessoas que vivem com epidemia e exorta cada entidade, seja pública ou privada, a aumentar informação, a tolerar e a evitar actos discriminatórios no acesso a todos os benefícios de desenvolvimento.

“Nesta perspectiva, estamos a trabalhar com a rede das pessoas que vivem com VIH, no sentido de produzirem a informação e serem agentes activos na promoção dos direitos humanos na resposta ao VIH”, acrescentou.

Em Cabo Verde, anualmente, surge uma média 300 a 400 pessoas seropositivas descobertas em todas as estruturas de saúde do país e de algumas ONG, que complementam o serviço de diagnóstico e de prevenção nesta matéria.

Segundo o inquérito demográfico da saúde reprodutiva há uma prevalência de VIH de 0.7 nas mulheres e 0.4 nos homens, sendo as mulheres as mais afectadas e as mais vulneráveis.
Dados rotineiros indicam que as mulheres são as que mais procuram os serviços de saúde, sendo que se realizam mais de 10 mil testes a grávidas por ano.

O VIH/Sida não existe nas idades entre 15 a 19 no País, mas a faixa etária com maior prevalência situa-se entre os 35 a 40 anos.

O Dia Mundial da Luta Contra Sida, que se assinala a 01 de Dezembro, é marcado este ano sob o lema “Equidade já para acesso aos serviços equitativos de saúde incluindo VIH” um desafio, segundo a OMS, que requer participação de todos para diminuir as barreiras psicossociais, económicas, legais e geográficos.

PC/JMV
Inforpress/Fim

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