Vice-primeiro ministro diz que solução do Estado sair da CVA é hoje “praticamente impossível”

Cidade da Praia, 14 Out (Inforpress) – O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, disse hoje que a solução do Estado sair do capital social da Cabo Verde Airlines (CVA) é hoje “praticamente impossível”, isso devido às novas circunstâncias criadas pela pandemia da covid-19.

Olavo Correia fez esta observação durante uma intervenção no debate sobre os transportes na primeira sessão plenária de Outubro da Assembleia Nacional, que arrancou hoje.

“Estamos numa fase de paragem do modelo que tinha sido preestabelecido. E nós temos de encontrar uma solução que possa permitir a convergência de posições e de interesses para viabilizar a empresa”, discorreu.

Prosseguindo, acrescentou que a CVA, em 2019, representou perto de 8% da riqueza nacional.

“Isso é negócio. São impostos, empregos, facturações para vários stakeholders que prestam serviços à CVA. Este é o impacto sobre a economia. Infelizmente, isso [o modelo] agora desapareceu e nós temos que trabalhar para recompormos esta evolução futura”, frisou.

O governante disse ainda que é preciso pensar, mais do que em processo, em quais são as soluções, o pensamento estratégico que se pode colocar sobre a mesa para que Cabo Verde possa conseguir manter o conceito de hub neste novo contexto e neste novo enquadramento.

“O Estado tinha decidido sair do capital totalmente. Nós já informamos em como esta solução hoje é praticamente impossível. Se o Estado sair da empresa, dificilmente teremos condições para viabilizarmos a empresa de forma sustentável nos próximos tempos, sobretudo a curto prazo”, defendeu.

Para Olavo Correia, o Estado tem de repensar a sua estratégia inicial que tinha sido montada para o caso da CVA e olhar para isto com o “sentido de responsabilidade”.

“Se o Estado quer manter uma companhia de bandeira, se quer ser parte nas decisões da empresa, tem de assumir riscos e tem de pagar”, acrescentou.

Olavo Correia frisou igualmente que o quadro futuro é “dificílimo” para a economia cabo-verdiana e, particularmente, para a aviação civil, neste caso para a CVA, e também para o Turismo, pelo que, ressaltou, a retoma será lenta, progressiva e vai depender não só dos intervenientes, mas também daquilo que será a evolução epidemiológica a nível mundial.

“Nós temos a obrigação de trabalhar para mantermos o conceito do hub que é um conceito válido e muito importante para viabilizarmos a estratégia de fazer de Cabo Verde um país plataforma. As soluções operacionais podemos mudar, podem ser ajustadas em função do contexto e em função do momento”, salientou.

Olavo Correia disse ainda que o momento que se está a viver hoje não tem nada a ver com o momento antes de 2019, pelo que não se poderá continuar com o mesmo modelo a funcionar num contexto que foi completamente alterado, onde as circunstâncias são completamente diferentes.

“É com este sentido de responsabilidade que nós temos de olhar para a CVA e nós estamos também a trabalhar para, naquilo que depender de nós, possamos tudo fazer para que os trabalhadores possam receber os seus salários”, finalizou.

GSF/ZS

Inforpress/Fim

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