Via técnica: Professores denunciam “desorganização” gerada com reformas e DNE nega qualquer problema

Cidade da Praia, 07 Dez (Inforpress) – Um grupo de professores que leccionam na Escola Técnica Cesaltina Ramos – ASA, na cidade da Praia, denunciou à Inforpress aquilo que considera “desorganização e bagunça” gerada com as reformas introduzidas na via técnica no ano lectivo 2022/23.

Conforme relataram, desde o início do ano os professores das novas disciplinas introduzidas estão a leccionar sem programas, tendo a direcção da escola solicitado aos docentes programas e planificações do primeiro trimestre, quando já passavam quase dois meses do início das aulas.

“Não há programas para nenhuma das disciplinas novas que foram introduzidas”, confidenciou um dos professores, adiantado que “o normal, o correcto e segundo a lei”, é que o Ministério da Educação elabore os programas para que os professores implementem.

“Aqui em Cabo Verde as escolas privadas têm a liberdade de propor ao Ministério as suas propostas curriculares que podem ou não serem aprovadas. No sector público, o Governo garante programas, a coordenação concelhia, formação de professores, conselho alargado, para que tudo funcione de forma uníssona em todas escolas. Este ano está tudo bagunçado”, lamentou.

A mesma fonte adianta que houve disciplinas que foram “subdividas”, tendo sido criadas duas ou três vertentes da disciplina. E como forma de colmatar as lacunas os professores têm recorrido aos programas dos anos lectivos anteriores, sem saber se aquilo que está a ser leccionado numa escola, numa determinada disciplina está a ser leccionado também em outras escolas.

“Nos mandaram fazer essa readaptação do programa sem saber o que foi feito nas outras escolas técnicas. Estamos a fazer isso sem nenhum contacto, sem coordenação e sem nenhum encontro entre escolas”, denunciou.

Contactada a Direcção Nacional de Educação (DNE) para reagir à denúncia, o director Nacional de Educação, Adriano Moreno, disse que as alegações não correspondem à realidade, em primeiro lugar, porque não houve a introdução de novas disciplinas, tendo havido sim, no quadro da reforma, alargamento do ensino técnico de dois para três anos.

“Nós tínhamos o ensino técnico a funcionar com dois anos – o 11ª e 12º anos. No âmbito da reforma do ensino secundário, a via técnica passou a ser leccionada em três anos, incluindo o 10º ano de escolaridade”, disse adiantando que esta reforma veio responder à necessidade de alargar para flexibilizar o programa que era extenso.

Não havendo novas disciplinas, Adriano Moreno adiantou que também não houve a necessidade de criar novos programas, tendo a DNE dado orientações no sentido de readaptação dos programas e dos planos de estudos.

“Portanto, não há lugar para novos programas porque os programas foram todos eles discutidos recentemente. As orientações que demos é que no âmbito das planificações que devem ser feitas no início de cada trimestre e anualmente, ali poderem introduzir mais aulas práticas para poderem atingir os objectivos do programa, porque o que nos vinham dizendo das escolas técnicas é que os programas eram extensos e não conseguiam ser cumpridos porque não havia lugar para mais aulas práticas”, sustentou.

Adriano Moreno esclareceu que essas planificações são da responsabilidade dos professores no âmbito das reuniões de coordenação das disciplinas.

Para já indicou que a DNE recebeu de todas as escolas técnicas planificações, tendo sido realizado um encontro com todos os directores das escolas técnicas há menos de um mês.

Por outro lado, adiantou que a directora do ensino técnico esteve recentemente a visitar as quatro escolas técnicas, da Praia, do Mindelo, de Assomada e do Porto Novo, e que o retorno que tem recebido é que o tudo está a decorrer na normalidade.

“Por isso, eu estranho que, neste momento professores tenham alegado que não tem programas porque isto não corresponde à realidade… Nós já temos as planificações de todas as disciplinas que foram elaboradas pelos professores”, disse garantido que o plano de estudo e os programas são iguais para todas as quatro escolas técnicas do país.

MJB/CP

Inforpress/fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos