Venezuela: Rússia acusa PE de violar direito internacional ao reconhecer Guaidó

Moscovo, 31 Jan (Inforpress) – A Rússia acusou hoje o Parlamento Europeu de violar o direito internacional ao reconhecer Juan Guaidó como “Presidente interino legítimo” da Venezuela.

“O reconhecimento de Guaidó como legítimo Presidente da Venezuela é uma terrível violação do direito internacional e uma ingerência nos assuntos internos de um país soberano”, disse à imprensa local Leonid Slutski, presidente da comissão de Assuntos Internacionais da Duma (câmara de deputados).

Slutski atribuiu a posição dos deputados europeus à “célebre solidariedade euroatlântica”, mas recordou que “o líder da Venezuela só pode ser eleito pelo povo”.

“Nem o Presidente dos Estados Unidos, nem o Departamento de Estado, nem o Parlamento Europeu podem impor aos venezuelanos outro líder, inclusive por meio do reconhecimento do autoproclamado Guaidó”, disse.

O responsável recordou que na Rússia se chama “impostores” aos que tomam essas posições e “revolta” às tentativas de derrubar dirigentes legítimos.

Slutski comparou o que está a acontecer na Venezuela com o que ocorreu na antiga Jugoslávia, no Iraque, na Líbia, na Síria ou Ucrânia.

“Alguns países já não estão no mapa-mundo. No caso dos outros, as suas economias estão destruídas e os seus setores petrolíferos são controlados por empresas estrangeiras. Outros ainda estão em guerra” com o terrorismo internacional, afirmou.

O Parlamento Europeu reconheceu hoje Juan Guaidó como o “Presidente interino legítimo” da Venezuela e exortou a União Europeia (UE) e os seus Estados-membros a assumirem uma posição semelhante, enquanto não for possível convocar eleições presidenciais.

Numa resolução aprovada por 439 votos a favor, 104 contra e 88 abstenções, a assembleia europeia, reunida em Bruxelas, solicita também à chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e aos Estados-Membros que “adoptem uma posição firme e comum e reconheçam Juan Guaidó como único Presidente interino legítimo do país até que seja possível convocar novas eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis tendo em vista restabelecer a democracia”.

A crise política na Venezuela agravou-se há uma semana, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, maioritariamente da oposição, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias (a contar desde sábado passado), findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

Lusa/Inforpress

Fim

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