Venezuela: Maduro diz a Trump que não aceita “ameaças” dos Estados Unidos

 

Caracas, 01 Jul (Inforpress) – O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, na sexta-feira, ter enviado uma mensagem ao homólogo norte-americano pedindo-lhe que “rectifique” a política de Washington relativamente ao seu país, advertindo-o ainda que não aceita “ameaças”.

“Podemos conversar? Sim, mas sem ameaças”, afirmou Maduro, num ato público em Caracas, apontando o dedo às mensagens do Departamento de Estado norte-americano.

“Guardem as vossas ameaças”, frisou, reiterando que o seu Governo está “preparado” para uma “nova etapa” nas relações com os Estados Unidos, mas com base “no respeito absoluto”.

“Enviei uma mensagem ao Presidente [norte-americano] Donald Trump. Sei que já cometeu erros na política internacional”, disse, afirmando esperar que “rectifique” a tempo a sua política contra a Venezuela ou Cuba.

Maduro também repetiu o que afirmou na terça-feira quando pediu a Trump para “ordenar” à oposição venezuelana “que pare com a sua campanha de golpe de Estado e de violência”, em referência aos protestos antigovernamentais que tomam conta, desde o início de Abril, das ruas da Venezuela e que deixaram pelo menos 81 mortos.

O Presidente venezuelano afirmou que essas manifestações, convocadas pela aliança da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD), fazem parte de um plano golpista apoiado pelos Estados Unidos e por outros países do continente.

Os Estados Unidos apelaram, na quarta-feira, a todas as partes na Venezuela para que se abstenham de praticar actos de violência, após os ataques contra o Supremo Tribunal e o Ministério do Interior em Caracas, mas também insistiram em condenar os “esforços” de Maduro para “anular a Constituição e convocar uma Assembleia Constituinte ilegítima”.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano sublinhou que a nova Carta Magna que Maduro pretende criar está “desenhada para promover o seu governo cada vez mais antidemocrático”.

“Tais passos não constroem o consenso nacional de que o país precisa”, disse, sustentando que só serve para “continuar a pôr os venezuelanos uns contra os outros”

“Os Estados Unidos juntam-se aos governos de todo o hemisfério, pedindo ao governo da Venezuela que cumpra com todos os compromissos assumidos durante o processo de diálogo, do passado Outono, para criar um ambiente positivo e construtivo em que possa haver lugar a negociações e mediação entre todas as partes”, sublinhou o mesmo responsável norte-americano.

Washington insiste que seja definido um calendário para a realização de “eleições livres, justas e credíveis”, que seja respeitada a Constituição e a Assembleia Nacional (parlamento), onde a oposição detém actualmente a maioria, bem como na “libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos”.

Lusa/Fim

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