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Universidade brasileira defende “fortalecimento de laços com a CPLP” em maré de cortes

Brasília, 21 Nov (Inforpress) – A reitora da Universidade de Brasília defendeu hoje, em declarações à Lusa, a importância do “fortalecimento de laços entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, num momento em que o ensino superior brasileiro passa bloqueios orçamentais.

“A Educação pública brasileira está a viver um momento difícil, somos universidades federais que tiveram um bloqueio no orçamento. Tivemos agora parte do dinheiro libertado, mas só nos chega no final do ano. Por isso, é importante fortalecer os laços com os países de língua portuguesa, que são nossos entes. É uma forma de mostramos que apesar das dificuldades, as universidades do Brasil são de alto nível”, disse Márcia Abrahão.

A Universidade de Brasília (UnB)recebe a partir de hoje a 9ª Conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), naquela que é a primeira edição na capital brasileira, e a terceira no Brasil.

Reitores, investigadores e docentes de universidades de comunidades lusófonas estarão no campus Darcy Ribeiro da UnB para discutir os rumos do ensino superior no âmbito internacional, sob o tema “ensino superior e a promoção do desenvolvimento humano: contextos e experiências nos países e regiões de língua portuguesa”.

Num era tecnológica, a mais recente edição da conferência pretende voltar às origens, visando as competências humanas.

“É muito importante recebermos este evento em Brasília. Fizemos questão que assim fosse, principalmente neste momento de dificuldades, em que as universidades do país e as ciências humanas estão a ser questionadas. O próprio tema do evento é uma marca da UnB. Somos uma universidade criada por pensadores, temos cotas raciais desde o início, somos uma instituição protagonista nesses temas”, frisou à Lusa Márcia Abrahão.

“Para nós, é fundamental reafirmar os nossos princípios junto das comunidades internacionais. Mesmo com as dificuldades, temos um programa de internacionalização, que acabou reduzido para o próximo ano, com os cortes do Governo. Mas continua a funcionar, com um intercâmbio de estudantes, docentes e pesquisadores entre os países da CPLP”, concluiu a reitora da UnB.

O Governo liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro tem sido fortemente contestado pelo bloqueio de verbas na Educação, tendo já sido efectuados mais de quatro cortes no sector apenas este ano, com milhares de bolsas de investigação a serem suspensas.

Contudo, no final de Setembro, o executivo anunciou o desbloqueio de parte das verbas retidas para Universidades e institutos federais brasileiros, no valor de 1,16 mil milhões de reais (250 milhões euros).

A conferência, que decorrerá até à próxima sexta-feira na capital brasileira, terá como objectivo discutir a forma como as instituições de ensino superior têm actuado na promoção de valores como a democracia, ética, liberdade, responsabilidade social, e pensamento científico e crítico.

“A temática do desenvolvimento humano traz uma possibilidade de mostrar uma outra faceta das universidades e dos estudantes, que muitas vezes não é considerada, mas é crucial. É o caso da influência das universidades na formação dos cidadãos, e do seu papel directo no desenvolvimento regional. Pelos trabalhos que nos foram enviados, parece-me que vai ser uma discussão muito boa”, indicou à Lusa o presidente da comissão organizadora do evento, Marcelo Bizerril.

“Nesta edição, alguns países que costumam ter mais dificuldade estão presentes, como Timor-Leste. Temos alguma variação na programação, por exemplo, a realização de visitas técnicas a campus universitários, para que se conheça melhor como funcionam, mas haverá as habituais mesas redondas, palestras, e a apresentação de mais de 100 trabalhos. Faremos ainda reuniões, em esperando oportunidades de cooperação”, acrescentou Bizerril.

Entre os portugueses presentes no evento está o presidente da Forges, Paulino Lima Fortes, o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, e o presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa.

À agência Lusa, Paulino Lima Fortes lamentou o facto de nem todos os países e regiões da CPLP estarem representados na 9ª edição da conferência, referindo o caso de São Tomé e Príncipe e Macau.

Dos países africanos de língua portuguesa participam na conferência o reitor do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia Alberto Chipande, em Moçambique, Rizuane Mubarak; o presidente do Conselho de Administração da Agência Reguladora do Ensino Superior de Cabo Verde, João Dias; o professor do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (Angola) Alfredo Buza; e a ex-directora Nacional de Ensino Superior de Moçambique, Sandra Brito, entre outros.

Inforpress/Lusa

Fim

 

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