União dos Sindicatos de São Vicente aponta contradições na criação de novo sindicato

Mindelo, 08 Set (Inforpress) – A União dos Sindicatos de São Vicente (USV) enumerou algumas contradições feitas na criação do novo sindicato na ilha e criticou o comportamento da secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS).

Conforme o porta-voz Tomás Aquino, em conferência de imprensa, no Mindelo, a USSV e também em representação de outros sindicatos, pretendia reagir à notícia da segunda-feira, da criação do “suposto” Sindicato dos Trabalhadores de São Vicente que agora ocupa a ex-sede da união.

Tomás Aquino lembrou que precisamente hoje completam-se cinco meses que a USSV e seus sindicatos foram despejados da sua sede a mando de Joaquina Almeida e no local permanecem fechados os equipamentos de “forma abusiva e arbitrária”.

A mesma fonte informou ainda que a bem poucos dias falaram com o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, sobre o assunto e o mesmo indigitou a Direcção-Geral do Património para se inteirar do caso e agora esperam que as autoridades actuam “com urgência”, pois, “a paciência tem limites”.

“É óbvio que, para além dos equipamentos, a nossa luta visa recuperar essas instalações, que nos pertencem, não só por direito, como também pela história”, sublinhou.

Daí, sustentou, o questionamento do novo Sindicato dos Trabalhadores de São Vicente (STSV), cuja apresentação teve a presença da secretária-geral da UNTC-CS, quando “ainda nem sequer foi admitido como filiado da referida central sindical”, uma vez que, como se disse na conferência de imprensa, aproveitou-se a presença de Joaquina Almeida para formalizar o pedido de filiação.

Por outro lado, criticou a mesma fonte, “o mais ridículo e caricato” foi o facto de Eurídice Silva Lopes ter sido apresentada como presidente do STSV quando foi eleita em Novembro de 2020 como membro da direcção e vice-presidente do Sindicato de Indústria, Comércio e Serviços (SICS).

“Ora, à luz do código laboral, nenhum trabalhador pode ser, simultaneamente, representado por mais de que um sindicato”, considerou Tomás Aquino, para quem é “ilegal” Eurídice Lopes exercer essas duas funções.

O sindicalista disse ser esse o “modus operandi” de Joaquina Almeida e, por isso, apelou às autoridades para superintenderem a área do trabalho e pôr fim a esse tipo de atitude.

Tomás Aquino continuou questionando a criação do sindicato apontando contradições como da sua presidente ter dito que foi criado a 01 de Agosto, mas, ao mesmo tempo, dizer que entregou o dossiê à Direcção-Geral do Trabalho para a sua oficialização.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, não se sabe quando e onde foi realizada a assembleia constitutiva do sindicato, quem nela participou e se os órgãos de comunicação social deram conta e anunciaram esse acto constitutivo, que, normalmente, ou é em assembleia geral, uma conferência, ou em congresso.

O sindicalista denunciou ainda que há uma pessoa, em São Vicente, a “aliciar” os trabalhadores filiados nos sindicatos da USSV, “no sentido de se desfiliarem destes e aderirem a esse pseudo- sindicato ora anunciado”.

“Também sabemos que todo esse expediente, à pressa, tem um único objectivo, justificar, quer junto do Governo, quer a nível da opinião pública que o espaço, afinal, está sendo utilizado por um sindicato de São Vicente”, afirmou.

Tomás Aquino espera agora que as autoridades possam agir através da denúncia pública feita através da comunicação social, inclusive, em relação à informação que Joaquina Almeida “levou consigo e despachou no aeroporto algumas caixas contendo equipamentos retirados da sede da USSV” e do qual deduzam que sejam “computadores doados por organizações estrangeiras para uso dos sindicatos de São Vicente, sobretudo na área de formação”.

LN/CP

Inforpress/Fim

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