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União Africana suspende Guiné-Conacri da organização após golpe de Estado

Adis Abeba, 10 Set (Inforpress) – A União Africana (UA) anunciou hoje a suspensão da Guiné-Conacri de todas as suas “actividades e órgãos de decisão”, em consequência do golpe de Estado no último domingo, liderado por militares naquele país da África Ocidental.

“O Conselho de Paz e Segurança (…) decide suspender a República da Guiné de todas as actividades/órgãos decisórios da UA”, anunciou através da sua conta no Twitter o órgão responsável pela gestão dos conflitos e questões de segurança no seio da União Africana, dois dias após uma decisão semelhante da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

A organização pan-africana, sediada na capital etíope, Adis Abeba, pede ainda ao Conselho de Segurança das Nações Unidas “que aprove o comunicado final da CEDEAO”, que apoia.

A CEDEAO anunciou esta quarta-feira a suspensão da Guiné-Conacri e o envio de uma missão diplomática ao país, mas não pronunciou quaisquer sanções económicas.

A missão, composta por ministros dos Negócios Estrangeiros de quatro países e pelo presidente da comissão da CEDEAO, Jean-Claude Kassi Brou, chegou hoje a Conacri.

A CEDEAO exigiu ainda “respeito pela integridade física” e a “libertação imediata” do Presidente Alpha Condé, capturado e detido pelos golpistas no domingo.

As forças especiais guineenses lideradas pelo seu comandante, tenente-coronel Mamady Doumbouya, anunciaram no domingo que tinham capturado o chefe de Estado para pôr fim à “má gestão financeira, à pobreza e à corrupção endémica” e ainda “à instrumentalização da justiça [e] ao atropelo dos direitos dos cidadãos”.

Dissolveram o Governo e as instituições e aboliram a Constituição do país, que Condé tinha feito alterar e aprovar em 2020, por forma poder candidatar-se a um terceiro mandato nesse mesmo ano, e não obstante meses de protestos e dezenas de mortes em resultado dos mesmos.

Numa mensagem televisiva na noite de quinta-feira, junta militar que governa o país anunciou que deu ordens ao banco central do país para que congelasse as contas bancárias dos ministros que faziam parte do governo do presidente deposto, assim como de outras contas relacionadas com o executivo de Condé e instituições públicas.

O auto-denominado Comité Nacional de União e Desenvolvimento (CNRD) justificou a decisão com a necessidade de preservar os bens do Estado, segundo o órgão de comunicação local Guinée 7.

“Qualquer pessoa que viole (as medidas) será considerada responsável por uma infracção e assumirá todas as consequências”, disse o CNRD num comunicado lido pelo próprio Mamady Doumbouya.

O congelamento das contas afecta, para além dos ministros e outros altos funcionários da administração Condé, os “programas e projectos” promovidos pela presidência e as instituições “administrativas e comerciais” de todos os departamentos governamentais.

Inforpress/Lusa

Fim

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