Ucrânia: UE prepara guia para eventual rápido regresso de ucranianos

Bruxelas, 04 Ago (Inforpress) – A União Europeia (UE) está a preparar, juntamente com o governo da Ucrânia, uma comunicação com diretrizes aos cidadãos ucranianos sobre eventual rápido retorno aos países europeus se a situação piorar, quando muitos regressam já a casa.

A informação é avançada pela comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, que em entrevista à Lusa e outras agências internacionais, em Bruxelas, revela que a UE fará “uma comunicação conjunta com o governo ucraniano ao povo ucraniano sobre como podem agir e que tipo de direitos têm”.

Depois de uma viagem à Ucrânia, a responsável vinca: “Quando ouço estas pessoas que tive oportunidade de conhecer ontem [terça-feira] em Kiev, a sua preocupação é realmente muito grande sobre, se as coisas piorarem, como podem sair rapidamente para a UE […] e isto é algo em que precisamos de nos concentrar mais”.

“Eles estão preocupados e um pouco traumatizados pelas dificuldades que tiveram no início para sair da Ucrânia – quando havia cerca de 200.000 por dia a atravessar a fronteira – e isto será discutido com os Estados-membros”, aponta Ylva Johansson.

Defendendo um “trabalho em conjunto com o governo ucraniano sobre como dar a informação adequada a todos os indivíduos”, a responsável pela tutela diz querer responder a dúvidas sobre os seus direitos e oportunidades “porque há muitos mal-entendidos e medo de que as coisas possam ser mais difíceis”.

Depois de a UE ter decidido ativar pela primeira vez, em março passado, a proteção temporária devido ao afluxo em massa de ucranianos que fogem da guerra, a comissária europeia indica que, de momento, existem 3,9 milhões de ucranianos registados no âmbito desta medida em países comunitários, embora alguns destes já tenham retornado à Ucrânia.

“As pessoas que fugiram provavelmente beneficiaram da proteção temporária e agora regressam a casa, à Ucrânia”, realça Ylva Johansson.

À UE cabe, de acordo com a comissária europeia, “apoiar as condições na Ucrânia” para permitir estes regressos.

Numa altura em que o governo ucraniano estima que 300.000 quilómetros quadrados de solo tenham de ser desminado, a responsável adianta que a UE está “a treinar cães [farejadores] de minas, que serão enviados” para a Ucrânia, prevendo ainda apoiar financeiramente estas ações de desminagem e outras, de reconstrução, por exemplo de escolas.

“Isto está também ligado à segurança antes de poderem enviar as crianças para a escola e, portanto, estamos a fazer coisas na Ucrânia para os ajudar”, assegura.

Nos últimos meses, em que o país está em confronto armado após a invasão russa em fevereiro passado, a UE mobilizou 2,2 mil milhões de euros em apoio financeiro à Ucrânia.

Apesar dos regressos, Ylva Johansson admite: “Aqueles que voltaram à Ucrânia também estão a dizer que não sabem por quanto tempo, porque todos têm medo de que as bombas comecem a cair novamente em Kiev e depois podem precisar de fugir novamente, pelo que há uma prontidão para fugir de novo”.

“Não confio em Putin nem por um segundo e o seu objetivo não é apenas destruir toda a Ucrânia, é também desestabilizar a UE e está a usar o medo, pelo que temos de nos manter extremamente vigilantes”, conclui.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 17 milhões de pessoas de suas casas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 16 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

A ONU confirmou que 5.327 civis morreram e 7.257 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 160.º dia, sublinhando que os números reais deverão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

Inforpress/Lusa

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