UCID/42º aniversário: “O partido ainda não conseguiu atingir os seus desideratos” – António Monteiro

Mindelo, 13 Mai (Inforpress) – O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro, considerou que o partido, mesmo com 42 anos de existência , ainda não conseguiu atingir os “desideratos” que nortearam a sua criação em 1978.

Em declaração à Inforpress , o líder dos democratas-cristãos afirmou estes objetivos ainda não foram atingidos, primeiramente porque a democracia, que era o principal combate do partido, desde da sua criação a 13 de Maio de 1978, ainda não é sentida na sua plenitude.

António Monteiro aponta argumentos como o facto do “cidadão não se sentir livre, mas sim, sente-se pressionado pelos partidos que têm estado a governar Cabo Verde”.

“Os cidadãos não conseguem exercer as suas escolhas partidárias de forma tranquila, são quase que obrigados a estarem empacotados e sem dar a cara para um ideal político, porque, infelizmente, se o fizerem acabam por ser fortemente penalizados a nível do emprego e de outras oportunidades, que o Estado deveria dar”, defendeu.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, os desideratos ainda estão por atingir, uma vez que, sublinhou, o partido ainda não consegue tomar decisões relativamente ao que será o futuro político do País.

“Nestes 42 anos, a UCID nunca conseguiu tomar decisões políticas, no sentido de definir o caminho seguido pelo País, porque o número de deputados que temos no parlamento é ainda muito baixo , que permita a influenciação das medidas”, lançou António Monteiro, lamentando o facto do partido nunca ter conseguido colocar na prática aquilo que pensa, mesmo sendo o partido mais antigo de Cabo Verde, como país independente.

Sendo assim, ajuntou, o partido precisa “trabalhar e mobilizar cada vez mais, tentar sinergias junto de cada cidadão e ter o peso e a dimensão política suficiente para decidir ou influenciar a decisão do futuro deste País”.

“Queremos trabalhar para que cada cidadão, cada família tenha o número de refeição mínimo diário e as condições mínimas de vida, e que cada lar tenha a felicidade que o Estado pode proporcionar”, sublinhou, adiantando que o partido vai continuar no seu caminho, almejando um “Cabo Verde mais justo, com menos problemas sociais e mais oportunidades para todos os cabo-verdianos”.

Para António Monteiro, o 13 de Maio significa um “momento marcante” para os fundadores e militantes do partido, mas também um “momento de reflexão interna” para se analisar o percurso feito até hoje.

“Também trabalhar, no sentido de mobilizar mais cabo-verdianos, principalmente mulheres, para que possamos ter mais capacidade e força suficientes para atingirmos o nosso lema que é cumprir Cabo Verde”, considerou.

A UCID é um partido político fundado em 1978, por um conjunto de emigrantes cabo-verdianos residentes na Europa, com o objectivo de combater politicamente o então regime do partido único, o PAIGV, e, consequentemente, instaurar um regime democrático para servir Cabo Verde.

Em 1991, aquando da realização das primeiras eleições multipartidárias em Cabo Verde, a UCID não conseguiu se legalizar a tempo de concorrer às eleições.

Em 2006, elegeu pela primeira vez um deputado e nas eleições de 2011 subiu esse número para dois e actualmente tem três deputados na Assembleia Nacional, incluindo uma mulher.
António Monteiro é líder da UCID há cerca de 12 anos.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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