Três anos/Governo:  Grupo de salenses insatisfeito com governação de Ulisses Correia e Silva e preocupado com futuro do país

Espargos, 24 Abr (Inforpress) – Alguns munícipes, na ilha do Sal, manifestam-se insatisfeitos com os três anos de governação do Movimento para a Democracia (MpD), liderado por Ulisses Correia e Silva, revelando-se, contudo, “preocupados” quanto ao futuro do país e da ilha, em particular.

Estes cidadãos, tanto jovens como adultos, de diferentes extractos sociais e nível académico fizeram esta avaliação quando abordados pela Inforpress a propósito dos três anos de mandato do executivo de Ulisses Correia e Silva, apercebendo-se, conforme dizem, que o cumprimento das promessas de campanha eleitoral, “está muito aquém do desejado”.

Sobre a matéria, prontificaram a falar, mas a maioria das pessoas não quis ver o seu nome revelado.

Fazendo uma rectrospectiva, apontam que quando um determinado governo passa muitos anos no poder e não satisfaz de todo a expectativa do povo, há uma “fome” por mudança, isto é, encontrar homens e mulheres, “eventualmente” capacitados para definir novos rumos para a Nação.

Neste sentido, os entrevistados da Inforpress dizem acreditar que foi isso que aconteceu em 2016, aquando da mudança do governo em Cabo Verde, na expectativa que uma transição política pudesse trazer novas esperanças.

“O povo acreditou piamente naquilo que foi oferecido durante as campanhas políticas, numa vertente extremamente sensível, como o emprego, propalando-se a ideia de ter 45 mil novos empregados durante esse mandato”, desabafou um indivíduo que não quis ser identificado.

Acrescentou, que depois de três anos de governação, fazendo uma análise em “profundidade” está-se um pouco aquém da expectativa.

Seguindo pelo mesmo diapasão, outro cidadão “observador”, pergunta se na altura o actual primeiro-ministro falava com sinceridade ou utilizou “essa arma” no intuito de conseguir o poder.

Ana Gonçalves, empregada doméstica, que diz não entender nada de política, deita um olhar crítico à situação das estradas do Sal, a falta de médicos no hospital, o estado dos mobiliários das escolas, e a vulnerabilidade das empregadas domésticas, “já que sem protecção”.

Para os jovens, que também não quiseram ser identificados, muita coisa que se prometeu “não está sendo cumprida e nem será cumprida” no decurso deste mandato, segundo seu prognóstico.

Sem qualquer problema em dar a cara, Jorge Monteiro que se assume simpatizante do PAICV, o maior partido da oposição, disse que o actual governo “propala a sete ventos”, que o país está a crescer, que a vida dos cabo-verdianos melhorou, mas “ninguém sente isso”.

“Esta análise devia ser do povo… e não do governo. É só vermos as manifestações de descontentamento. Temos vários outros sectores em que as coisas pioraram. Por exemplo, a nível dos transportes, quer marítimos quer aéreos. Valha-nos Deus”, exteriorizou.

Ciente dos parcos recursos desta Nação, uns e outros apelam aos políticos a serem um tanto ou quanto coerentes nas campanhas políticas de modo a evitar que o povo fique “frustrado” com as promessas que não vão se cumprir.

Cépticos quanto ao futuro, dizem que a expectativa criada durante a campanha eleitoral e o que se tem feito até agora há uma discrepância “muito grande”, entre o prometido e o concretizado.

Para outros, o Governo tem “falhado a todos os níveis”, na política para a juventude, habitação, educação – “que é um Deus nos acuda” -, criticando, ao mesmo tempo, aquilo que consideram de “venda” do país, referindo-se, neste particular, aos processos dos portos e aeroportos.

“O país não vai bem, não está de boa saúde. Parece que tudo agora é privatizável em Cabo Verde. A passar-se tudo para as mãos de estrangeiros”, lamentam em tom de preocupação.

“Na altura da campanha eleitoral, Ulisses Correia e Silva parecia uma luz no fundo do túnel, mas agora o povo está a sentir-se com a corda no pescoço. A governação do MpD tem sido nefasta para os cabo-verdianos, de Santo Antão à Brava”, exteriorizam.

Entretanto, como a esperança é a última virtude a morrer esperam que o Governo de Ulisses Correia e Silva cumpra uma boa percentagem daquilo que prometeu, calculando, porém, que “há muito por fazer e o tempo limite de cinco anos é insuficiente, mormente os dois anos que faltam para o término do mandato”.

O Governo do Movimento para Democracia (MpD) que completou agora o terceiro ano de mandato, venceu as eleições legislativas de 20 de Março de 2016 com maioria absoluta, tendo tomado posse a 22 de Abril de 2016.

SC/FP

Inforpress/Fim

 

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