Três anos/Governo: Avaliação entre os foguenses diverge em função das suas convicções políticas

***** Por Jaime Rodrigues, da Agência Inforpress *****

São Filipe, 21 Abr (Inforpress) – A avaliação dos três anos de governação de Ulisses Correia e Silva, que se completam nesta segunda-feira, 22, não reúne consenso dos cidadãos da ilha do Fogo, cuja opinião oscila entre boa e má, sendo que pelo meio há quem dá benefício de dúvidas ao Governo do MpD.

Para Luciano Silva, da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Atalaia, no município dos Mosteiros, a governação do país ao longo dos últimos três anos “é má”, e a nível do crescimento económico constata-se um desfasamento entre o discurso e a prática.

Conforme o mesmo, o crescimento económico não tem tido reflexo nas famílias, na criação do emprego, empregabilidade e melhoria de condições de vida das pessoas, e na educação há muita coisa por fazer, assim como na saúde.

No domínio da agricultura, Luciano Silva considera que a política delineada por este Governo “deixa muito a desejar”, porque nos dois anos de seca consecutiva e da falta de produção, as pessoas que vivem dos sectores da agricultura e pecuária, estão a passar por muitas dificuldades e não há emprego público.

“No meu entendimento, temos dois Cabo Verde, um do Governo com a visão do crescimento económico, aumento de emprego e empregabilidade e melhoria de condições de vida da população, sobretudo no mundo rural, e outro dos que estão no terreno a acompanhar o dia a dia e o desenrolar da vida das pessoas, que é totalmente contrário, com pessoas a queixarem da falta de emprego, de condições de vida e uma situação bastante degradante, sobretudo dos que vivem no mundo rural”, afirma.

Entretanto, a expectativa deste cidadão para os restantes dois anos de governação não é animadora.

“Se nos três anos está-se aquém das promessas feitas nas campanas, no pouco tempo que resta não acredito que será possível para o Governo resolver o problema do emprego, sobretudo o prometido à população de Chã das Caldeiras, ver a situação de saúde de forma satisfatória, criação de condições de vida particularmente no mundo rural”, indicou, sublinhando que a situação é cada vez mais complicada.

“Queira a Deus que a próxima campanha agrícola seja boa, porque só assim é que as pessoas que passam neste momento por dificuldades, para não dizer fome, podem vir a ter uma situação diferente”, realçou.

Uma avaliação diferente tem o agricultor das zonas altas de São Filipe, José Teixeira, quem classifica o desempenho do actual Governo de bom, porque, conforme explica, “tem havido algum desenvolvimento”, sobretudo nas zonas altas do Fogo que têm um grande potencial agrícola, mas que anteriormente nenhum Governo se preocupou em visitar e dar atenção.

“Além de visitar o sítio já começaram a dar apoio na implementação de um projecto de muita importância para esta área com um grande potencial agrícola, sobretudo no domínio de fruteiras”, apontou José Teixeira, sublinhando que espera que o Governo continue na mesma senda de boa governação.

Já o porta-voz da Associação dos Agricultores e Criadores de Gado de São Filipe e Santa Catarina do Fogo, João Fernandes, a actual governação tem pontos positivos e negativos, observado que na questão de água registou-se uma melhoria, apesar de ainda existir muito por fazer, porque o preço é ainda elevado e com a mudança de gestão para Águabrava os horticultores que antes pagavam 55 escudos por metro cúbico de água, independentemente da quantidade e sem o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA).

Agora paga-se 61 escudos e com o IVA e a taxa de exploração os horticultores pagam uma média de 72 escudos por cada metro cúbico.

“O mais ideal seria uma remodelação do preço de água que seja ajustado a nível nacional e, se possível, retirar o IVA e taxa de exploração de água para agricultura, como incentivo para fazer o horticultor sentir mais vontade de fazer o seu trabalho”, disse João Fernandes, para quem o equilíbrio do preço a nível nacional é fundamental “porque o país é uno”, e com a diferença de preço os agricultores do Fogo não podem competir com os de Santiago que têm um preço de água muito inferior.

Além melhoria no sector da água, o porta-voz da associação disse que é necessária também a implementação de outras políticas, no sentido de melhorar o escoamento dos produtos. (…) sempre que há uma boa produção com excedentes, há vários riscos, realçou.

Lembrou ainda que apostar num centro pós-colheita funcional onde os agricultores podiam colocar os seus produtos com segurança, ter uma unidade de transformação dos produtos locais, justifica, porque há dificuldade de escoar os produtos para outras ilhas devido a problemas de transportes.

JR/FP

Inforpress/Fim

 

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