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Transição de Cabo Verde a país de desenvolvimento médio causa perda de subvenções internacionais e sobre-endividamento – especialista

Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – O especialista português para o desenvolvimento Jorge Moreira disse, quinta-feira, que a graduação de Cabo Verde a país de desenvolvimento médio causou perdas de subvenções internacionais e sobre-endividamento do país.

Jorge Moreira fez esta consideração à imprensa, à margem da II Reunião dos Pontos Focais dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), que aconteceu na cidade da Praia, na qual apresentou-se o relatório sobre a transição de Cabo Verde a país de desenvolvimento médio.

Conforme o especialista, a graduação de 2007, apresenta certa singularidade, porque o país é um pequeno estado insular e porque aconteceu quase em simultâneo com uma crise financeira global, que afectou muitos países parceiros de Cabo Verde.

Nesta linha, explicou que o estudo permite concluir que a mudança (graduação), deu origem a uma alteração muito significativa da relação dos doadores e o arquipélago, ou seja, “não houve alteração do volume financeiro da ajuda” a Cabo Verde, mas “mudou a natureza dessa ajuda”, com menos subsídios, mais empréstimos e mais investimento privado.

“Houve uma segunda consequência que foi o desequilíbrio, na medida que os doadores passaram a dar mais apoios a sectores como energia, infra-estrutura e água e muito menos apoio para as áreas sociais, nomeadamente a saúde e educação”, ajuntou.

Numa terceira abordagem, constatou que nesse tipo de graduação houve o endividamento do país, a partir do momento em que há uma crise económica global, depois Cabo Verde gradua-se perdendo acesso a algumas subvenções internacionais, estando mais dependentes de empréstimos, gerou o sobre-endividamento do país.

Segundo disse, a quarta consequência foi uma alteração da própria composição de parcerias, com alguns “doadores tradicionais a afastarem-se gradualmente” do apoio a Cabo Verde, e novos doadores, como a China, com maior presença.

“Defendemos que esse tipo de fenómeno de transição e de graduação, precisa de uma melhor abordagem da parte dos doadores, não pode haver circunstâncias em que um país gradua-se e os doadores deixam de ter um apoio continuado, sustentável e previsível a este país” observou.

Já o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, questionado sobre o comportamento de Cabo Verde face a esta transição, referiu que, a partir do momento em que alguns países passaram a desenvolvimento médio, as condições de acesso a determinados tipos de ajuda alteraram-se, mas o país tem e está a adaptar-se a essas novas condições.

Defendeu que é sempre pertinente discutir a problemática dos pequenos estados insulares, em transição e, aqueles que já foram graduados a países de rendimento médio, porque as vulnerabilidades existem e são características desses estados.

Essas vulnerabilidades, clarificou, “causam choques externos”, quer ambientais, quer económicos, por isso, apontou, precisam de um “enquadramento diferenciado” e de um quadro de financiamento que também leva em conta essas situações, no reforço do suporte da ajuda estrutural das reformas que são empreendidas.

HR/ZS

Inforpress/Fim

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