Trabalhadores da TACV consideram-se “menosprezados” no processo de “desconstrução” da companhia

Cidade da Praia, 30 Jun (Inforpress) – Os trabalhadores da TACV, que subscrevem uma carta “aberta” de 12 páginas dirigida a várias entidades e a toda a nação cabo-verdiana, consideram que foram “menosprezados e vilipendiados” por quem tinha o direito constitucional de os defender.

Esses trabalhadores, cuja voz dizem que no processo de “desconstrução” da empresa “não foi tida nem achada”, sublinham a importância da componente humana em qualquer empresa, mesmo nas companhias aéreas em que a “automatização de várias operações é hoje uma realidade insofismável”.

“Dói, pois, constatar que os que decidiram sobre o destino de várias famílias (cerca de trezentas), de acordo com informações recentemente veiculadas na comunicação social, fizeram-no sobrevalorizando a componente materialista (economicista e financeira) e subestimando os valores sociais (humanos) da empresa”, lê-se na carta enviada à Inforpress.

Aproveitam para lembrar que a TACV – Cabo Verde Airlines é uma companhia com história, um património nacional mais antigo (criado a 27 de Dezembro de 1958) que o próprio Estado erigido a 5 de Junho de 1975, cuja missão era inicialmente aproximar as ilhas e mais tarde unir a diáspora cabo-verdiana à mãe pátria.

Os subscritores da carta questionam ainda se os cabo-verdianos terão o prazer de assinalar, daqui a seis meses, o 59º aniversário da TACV e se serão lembradas as suas 60 primaveras, em 2018.

“Os trabalhadores e o povo não terão o prazer de assinalar essas efemérides, porque a TACV foi ferida de morte e, diga-se em abono da verdade, de morte lenta”, consideram, referindo-se ao anúncio da retirada a 1 de Agosto da TACV das operações domésticas, e a criação da TACV Internacional. Decisões, com cujas consequências, ajuntam, é o povo quem vai arcar.

Por outro lado, dizem acreditar que nunca se chegou a encontrar o modelo económico que melhor servisse à Empresa Pública TACV, mesmo depois da nomeação dos vários conselhos de administração pelos sucessivos governos, “quase sempre com base na filiação e confiança partidária dos detentores ocasionais do poder”.

Cientes estão também de que a “excessiva politização” da gestão da TACV terá tido um papel “bastante negativo” na vida desta companhia de bandeira nacional e questionam o porquê de o Estado não ter fornecido os instrumentos de trabalho indispensáveis à continuidade do desenvolvimento e sustentabilidade das operações (aviões), entre outras medidas.

As mesmas fontes defendem que os trabalhadores não podem ser os únicos responsáveis pela situação em que a empresa se encontra, e entendem que os vários culpados por este estado de coisas só poderão ser encontrados com uma inspecção/auditoria “verdadeiramente isenta” e com horizonte temporal de não menos do que 20 anos.

Falam ainda de regalias, incentivos e benefícios que não tiveram ao contrário de outros colegas de várias empresas nacionais, afirmando que o único benefício de que usufruem é a facilidade de transporte.

Quanto à Binter, companhia privada que sozinha vai efectuar, a partir de Agosto, as operações domésticas, perguntam que garantias haverá para a empresa continuar a desempenhar o papel social, antes da responsabilidade da TACV e se será subsidiada pelo Estado.

Os subscritores reiteram ainda não estarem satisfeitos com a forma “desrespeitosa e indigna” como foram tratados até agora, num processo que diz respeito às suas vidas e famílias e que bole com a sua estabilidade profissional, equilíbrio emocional, entre outras, com consequências “imprevisíveis”.

Asseveram, por isso, estarem todos empenhados em fazer valer os seus direitos, desde logo o direito ao trabalho e a um nível de vida digna, compatível com o actual estatuto de funcionários e quadros permanentes da TACV.

Posto isto, apelam e exigem, em vários pontos e alíneas distintas, que, por exemplo, o processo de alienação da TACV seja conduzido com a máxima transparência, sobretudo no que diz respeito aos direitos adquiridos e normais expectaivas de carreira e as indeminizações sejam pagas em uma única tranche.

Inforpress/Fim

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