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Independência/46 anos: “Testemunhar a proclamação foi o momento mais marcante da minha vida “- Constância Rodrigues “Mila” (c/vídeo)

Cidade da Praia, 05 Jul (Inforpress) – Constância Rodrigues nasceu na cidade da Praia em 1957 e descreve o dia da independência nacional como o momento “mais marcante” da sua vida, por simbolizar o início da liberdade e da construção de Cabo Verde.

Constância Lopes Mendes Rodrigues, mais conhecida por Mila, nasceu a 1 de Setembro de 1957, na Cidade da Praia, num período que Cabo Verde era um país colonizado, sob o domínio de Portugal, mas que já dava sinais de um dia vir a ser uma nação independente.

Os primeiros anos da sua infância foram marcados por problemas de saúde, e devido a isso começou os estudos primários com dois anos de atraso.

Em declarações à Inforpress, a propósito da celebração dos 46 anos de independência que se celebra hoje, Constância Rodrigues, que testemunhou a proclamação da independência no estádio da Várzea, contou à Inforpress as emoções que viveu e o significado desse dia para ela.

Quando recorda da infância e adolescência, vivida num contexto de colonização, afirma que muito cedo percebeu que alguma coisa não ia bem, sem, no entanto, saber que o País que o viu nascer era escravizado há séculos por Portugal.

“Com 14 anos de idade, comecei a ter noção do que estava a acontecer, ter noção da nossa realidade que alguma coisa não ia bem. O meu pai trabalhava na empresa portuguesa Marcony e verificava que sempre quando realizavam algumas actividades, havia divisão de grupo de pessoas e classes que conviviam em espaços diferentes”, lembrou.

Antes da tomada da independência nacional, segundo conta, em Cabo Verde havia muita represália, opressão, assuntos que não podiam falar em qualquer lugar, e as pessoas que já estavam envolvidas na luta clandestina tinham que ter cuidado o tempo todo.

Mais informações sobre a luta clandestina, Amílcar Cabral, independência, neocolonialismo e entre outros, prosseguiu, chegaram a si quando frequentava o liceu, e aos poucos foi descobrindo, em segredo, a verdade e depois desse período, recordou, nasceu nela uma vontade de também dar o seu contributo, ainda que simbólico, para ajudar os colegas a cumprir a missão iniciada por vários cabo-verdianos, que estavam a arquitectar a vitória contra a mãe portuguesa.

Para Constância Rodrigues, a possibilidade de Cabo Verde tornar-se realmente independente foi sentida em 1974, após a revolução de 25 de Abril, tendo referido que nesta altura, as acções da luta intensificaram-se e os cabo-verdianos começaram a ansiar pela liberdade, até que a 05 de Julho de 1975, o sonho de tornou-se realidade.

“Nas vésperas da independência, havia muita ansiedade, além do preparativo para o dia, recebemos muita informação, mas o sentimento que realmente reinava era alegria, ansiedade, eu propriamente não consegui dormir porque estava muito ansiosa que o dia amanhecesse”, afirmou.

“No dia 05, às 08:00, nós os estudantes estávamos todos no liceu para o dia tão esperado. Fomos ao estádio da Várzea com o nosso uniforme, ensaiamos tudo e fomos em fila indiana presenciar a tomada da nossa independência, e durante o trajecto pronunciamos as palavras de ordem”, realçou.

Para Constância Rodrigues, 05 de Julho é mais do que uma simples data, sublinhando que para todos os cabo-verdiano, este dia simboliza o fim de uma história de dominação, opressão, escravidão e controlo de uma nação e o início da liberdade de uma pátria.

“Foi uma mistura de sentimentos, um momento único na nossa história que não se repetiu mais. Temos, por exemplo, o 13 de Janeiro, outro momento que vivemos com emoção porque pela primeira vez tivemos a oportunidade de ter eleições democraticamente, mas nada de se compara com o 5 de Julho. Lembro-me que até a natureza naquele dia resolveu-se também dar o seu sinal de alegria, porque chuviscou no momento que se estava a hastear a nossa bandeira”, enfatizou.

Constância Rodrigues afirma que a emoção vivida no dia da independência era tanta que desmaiou-se no final da cerimónia, acrescentando que a data da independência nacional deve ser lembrada como um dia para nunca ser esquecido.

Hoje, passados 46 anos, acredita que a tomada de independência é o marco histórico para Cabo Verde, reconhecendo que muito já foi feito, o país desenvolveu-se muito, mas ainda tem muito caminho a percorrer, acreditando, contudo, que com o contributo de todos o futuro poderá ser melhor.

“A independência foi a melhor que nos aconteceu, estávamos a iniciar uma nova era na nossa história, reinava o sentimento de esperança, alegria, mas também de incertezas porque tínhamos que fazer as coisas funcionarem por nós mesmos. O processo pós-independência foi um processo de construção de um novo país e uma nova etapa na vida dos cabo-verdianos. É claro que os desafios são ainda enormes, mas acho que fizemos e estamos a fazer uma boa jornada”, concluiu.

“Povo de Cabo Verde, hoje, 5 de Julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde, proclama solenemente a República de Cabo Verde como Nação Independente e Soberana”, palavras do primeiro presidente do Parlamento cabo-verdiano.

Foram estas as palavras com que, há 46 anos, Abílio Duarte, presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), proclamara Cabo Verde como Estado independente em relação à antiga potência colonizadora, Portugal.

CM/JMV

Inforpress/Fim.

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