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Tarrafal de Monte Trigo: A pesca é considerada um dos sectores mais importantes da economia local

***Por: Homero Fonseca, da Agência Inforpress***

Tarrafal de Monte Trigo, Santo Antão, 13 Mar (Inforpress) – A representação da delegação marítima de Santo Antão, em Tarrafal de Monte Trigo, identifica 96 pessoas que se dedicam à pesca como actividade principal, o que faz dessa actividade o mais importante sector da economia local.

“A pesca é a mais forte actividade económica do Tarrafal de Monte Trigo, seguido da agricultura e, agora, do turismo”, disse o representante da delegação marítima de Santo Antão, em Tarrafal de Monte Trigo, Simão Évora, destacando o significativo número de pessoas que se dedicam a essa actividade nesta localidade.

Dentro da vertente “pesca artesanal” as técnicas variam desde a pesca costeira, à pesca em embarcações, nomeadamente, botes de boca aberta e pequenos navios já com porte suficiente para pescarem nos bancos de pesca da região e de atravessarem o canal para venderem o peixe na vizinha ilha de São Vicente.

O mergulho é outra técnica muito praticada em Tarrafal de Monte Trigo, mas apresenta constrangimentos tendo em conta as restrições impostas pela lei que interdita o uso de espingardas e equipamentos de suporte à respiração subaquática, nomeadamente garrafas de ar comprimido, razão por que o mergulho só é feito “a fôlego” (em apneia).

Existem, na localidade, quatro barcos de pesca, propriedades de armadores locais, um dos quais pertencente a João Crisóstomo da Luz, que não resistiu ao “bichinho” da pesca que cresceu com ele desde que se conhece por gente, e investiu num barco de pesca que dá trabalho a 18 pescadores, 17 dos quais são naturais de Tarrafal de Monte Trigo, conforme o próprio João Crisóstomo faz questão de frisar.

“Mandei construir um barco de 16 metros, com capacidade para 22 toneladas de peixe”, disse João Crisóstomo da Luz, explicando que a constatação de que havia algum desemprego no seio dos pescadores com capacidade para a prática de uma pesca mais avançada motivou-lhe para a realização desse investimento.

Nos períodos de abundância de peixe o grande problema é a falta de gelo, tendo em conta que a produção local de gelo não chega aos 500 quilos/dia, insuficiente para a demanda, nesses períodos, já que só o barco de João Crisóstomo sai para a faina com cinco toneladas de gelo, de cada vez.

Além da escassez, João Crisóstomo aponta outra dificuldade que tem a ver com o preço do gelo que, conforme disse, “é muito alto em Cabo Verde”, precisando que cada tonelada de gelo custa 18 mil escudos e, no seu caso, terá de dispor de 90 mil escudos para cada saída do barco tendo em conta que precisa de cinco toneladas por faina.

Por isso, este armador já pensou em dotar o barco de um equipamento de frio como forma de criar as condições para dispensar a utilização do gelo e dar mais autonomia à embarcação no que toca ao armazenamento do pescado.

 

“Neste momento temos grande mercado”, admitiu João Crisóstomo apontando os casos de algumas empresas de São Vicente (Frescomar), de São Nicolau (Sucla) e, previsivelmente, do Sal ainda em perspectiva.

A necessidade de mais uma máquina de gelo em Tarrafal de Monte Trigo é sentida também pelo representante da Associação de Pescadores da Localidade, Carlos Pires, que reconhece que a reduzida quantidade que os equipamentos geridos pela Associação produzem é insuficiente para satisfazer as necessidades.

Carlos Pires apresentou as instalações da infra-estrutura de apoio à pesca artesanal em Tarrafal de Monte Trigo à reportagem da Inforpress e explicou que, além do gelo a Associação vende também materiais de pesca para os operadores locais desse sector.

Quanto à construção de uma infra-estrutura de acesso ao mar parece haver consenso quanto à dificuldade da implementação de um projecto nesse sentido, sobretudo, devido à significativa profundidade daquele local e às condições do mar nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março que, de tão revolto, poderia comprometer o investimento.

Tarrafal de Monte Trigo tem, além dos quatro barcos de pesca, 32 botes de boca aberta, fibrados, 23 dos quais motorizados e toda essa frota é operada por um conjunto significativo de pescadores, naturais dessa localidade.

“Temos 96 pescadores inscritos, com e sem cédula marítima”, disse o representante da delegação marítima de Santo Antão, em Tarrafal de Monte Trigo, Simão Évora, adiantando que o número de pescadores sem cédula é irrisório, não chegando a 10 por cento (%) do total dos inscritos.

Até porque, explica Simão Évora, fazer uma cédula marítima não fica difícil porque os interessados fazem o exame de natação e remo no Tarrafal e levam um documento comprovativo que permite com que em apenas uma semana tenham o documento em mãos.

Simão Évora não encontra razão plausível para que alguns pescadores ainda não possuam a sua cédula marítima, a não ser o “puro desleixo”, já que ele próprio se disponibiliza para organizar todos os processos.

A uma jornada de três horas e meia de caminhada, para um bom andador, ou 5/6 horas para menos capacitados em termos de caminhada, situa-se a localidade de Monte Trigo, no sopé da maior elevação da ilha de Santo Antão, o Topo de Coroa com 1979 metros de altitude, distancia que pode ser percorrido em 45 minutos, via marítima. Mas isso são contas de outro rosário!…

HF/FP

Inforpress/Fim

 

 

 

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