Tarrafal: Agricultores do perímetro agrícola do Colonato queixam-se da falta de água

 

Tarrafal, 22 Abr (Inforpress) – Os agricultores do perímetro agrícola do Colonato, no Tarrafal (Santiago) queixaram-se hoje do “descaso das autoridades” que há mais de 15 anos não têm feito nada para resolver o problema de água que existe neste perímetro agrícola.

Os agricultores procuraram a comunicação social, pois, dizem-se cansados de tantas promessas de mobilização de água, de construção de barragem, de introdução de sistema de irrigação por gota a gota e de colocação de painel solar neste perímetro.

O perímetro agrícola do Colonato, o primeiro de Cabo Verde e, em tempos, abastecia os mercados nacionais com todo o tipo de produtos antes da construção das barragens, entretanto, segundo os camponeses, hoje em dia quem vê o colonato “vê secura”, devido a falta de água.

“Este chão ainda tem potencialidades de dar-nos alimentos de qualidade, mas o que falta é investimento. No tempo dos portugueses, fizeram uma grande infra-estrutura aqui, trouxeram água da Ribeira da Prata, mas hoje, abandonaram este lugar que sustentou o nosso povo”, disse o agricultor João José.

Este homem do campo, estranha o facto de as autoridades afirmarem que Tarrafal tem muita água, mas, enquanto isso, segundo ele, o colonato fica na secura, as plantas acabam por morrer e o rendimento das famílias perde-se juntamente com as plantações.

O pouco de água que conseguem, disse, custa 40 escudos cada metro cúbico, e, devido a situação financeira, não conseguem irrigar uma safra.

“Nada foi feito aqui. Agora pergunto, como é que vamos desenvolver um país sem agricultura”, frisou.

O camponês Guilherme Ferreira reforçou ainda que o problema de água no colonato está associado a má gestão, visto que, o pouco desse líquido que é destinado para o colonato vai para o curral do animais.

Outra queixa, informou tem a ver com a “falta de transparência” na distribuição do sistema de gota a gota, sendo que “uns receberem muitas vezes, enquanto outros nada”.

Os agricultores pedem ao governo que traga mais infra-estruturas de mobilização de água, mais formação para os agricultores, principalmente em empreendedorismo, para que possam melhorar os seus rendimentos.

Confrontado pela imprensa, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que estava no concelho de Tarrafal, numa visita informal, prometeu que o ministério vai equipar alguns furos com fonte de energia solar, para ajudar no problema de falta de água e, ao mesmo tempo, diminuir o custo de exploração dos furos.

“Estamos a trabalhar para equipar dois furos que estão disponíveis, justamente para ajudar a aumentar a disponibilidade de água. Para além disso, há um mínimo diário de 200 metros cúbicos de água da ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) que é possível reutilizar com segurança na agricultura”, disse, assegurando que se, porem em pé esses projectos o problema de água fica resolvido.

 

Em relação a má gestão na distribuição de água assegurou que é a associação dos agricultores que faz a distribuição de água, portanto, é um assunto que os agricultores devem resolver junto da mesma.

AM/CP

Inforpress/Fim

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