TACV: Manter a subsidiação estava a sufocar o país – secretário-geral do MpD

 

Cidade da Praia, 23 Mai (Inforpress) – O secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD, no poder) considerou hoje que manter a subsidiação da Transportadora Aérea Cabo-verdiana (TACV) estava a “sufocar” o país e a “retirar recursos importantes” a outras áreas essenciais.

Miguel Monteiro fez essa observação em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para reagir ao anúncio feito hoje pelo Governo, relativamente à extinção dos serviços domésticos da TACV, e que a partir de 01 de Agosto a ligação entre as ilhas passará a ser feita pela Binter Cabo Verde.

Segundo ele, desde início da legislatura que a TACV está no “centro das preocupações” do Executivo, não só pelo volume da dívida contraída, como pelo risco fiscal associado, bem como pelo impacto de um eventual encerramento da empresa, “comprometendo e bloqueando” os transportes aéreos inter-ilhas.

“Os nossos parceiros internacionais de financiamento pressionavam para que Cabo Verde deixasse de injectar dinheiro numa empresa estruturalmente deficitária. Aliá, manter a subsidiação da TACV estava a sufocar o país, retirando recursos importantes a outras áreas essenciais, tais como a saúde, a educação ou a segurança”, frisou.

Tendo em conta este cenário, conforme Miguel Monteiro, que o Governo tomou a decisão de dar á Binter a responsabilidade de assegurar o transporte aéreo inter-ilhas que, por sua vez, cederá 49% do seu capital social ao Governo, lembrando que a entidade reguladora terá que supervisionar que a Binter irá “assegurar e reforçar” as ligações regulares entre as ilhas.

Segundo o secretário-geral do partido que sustenta o Governo, a nível internacional, a TACV também será brevemente “reestruturada/privatizada”, havendo dois cenários, com “parceiros fortes e credíveis” e que qualquer deles permitirá manter o nome TACV e ligar o país ao estrangeiro, havendo a possibilidade de transformar Cabo Verde num “Hub”.

“Todo este processo levará a um redimensionamento do quadro de pessoal, actualmente existente na TACV, mas o Governo preconizou uma série de apoios, nomeadamente a possibilidade de ingresso na Binter, mediante as necessidades desta empresa, bem como o perfil de cada colaborador”, garantiu.

A criação de uma linha de crédito específica para os trabalhadores dispensados, de forma a possibilitar a reconversão profissional, bem como a possibilidade de criação de empresas próprias é, conforme Miguel Monteiro, outro apoio a ser dado, sem esquecer a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores com a atribuição das “justas indemnizações”.

Quanto ao “monopólio de uma empresa privada”, Miguel Monteiro garantiu que a autoridade reguladora já tem definido limites relativamente ao preço, sublinhando que o Governo tomou essa decisão “não por querer”, mas sim, porque o cenário assim o permitiu e que tudo fará para o país passagens aéreas a “custos razoáveis e a um preço sustentável”.

“Se por ventura, os preços das passagens aéreas mantiveram-se aos mesmos níveis que estão, actualmente, Cabo Verde já estará a ganhar, sem estar a injectar dinheiro como fazia com a TACV”, disse, acrescentando que caso seja necessários subsídios para compensar as linhas não rentáveis, que o Governo terá que analisar essa questão.

Entretanto, quis recordar que esta situação é consequência da “gestão calamitosa” da empresa, com “destaque” para os anos 2010 a 2015, em que os resultados negativos se “acentuaram exponencialmente”, exortando ao partido que sustentava o então Governo (PAICV) a “não fugir da sua responsabilidade”.

Contudo, esclareceu que, conforme referiu o Governo, “tudo será feito com total transparência e responsabilidade e com pensamento voltado prioritariamente para o desenvolvimento económico e social de Cabo Verde, mas sem esquecer àqueles que dedicaram uma vida de trabalho à companhia”.

DR/AA

Inforpress/Fim

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