Sustentabilidade futura da história de São Filipe só é garantida com reabilitação visual da cidade – ministro da Cultura

São Filipe, 02 Nov (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Industrias Criativas (MCIC), Abraão Vicente, defendeu hoje que a sustentabilidade futura de toda a história de São Filipe só é garantida com a reabilitação visual da cidade de São Filipe.

O titular da pasta da Cultura fez estas referências ao presidir o descerramento da placa da empreitada da obra de requalificação da Praça João Paes (4 de Setembro), na cidade de São Filipe, cujo contrato de consignação foi assinado no dia 24 de Outubro entre as Infraestruturas de Cabo Verde e a Sociedade Técnica de Construção (STC).

Com a requalificação da praça, segundo o ministro, pretendeu-se repor os traços originais desta infra-estrutura, desde o piso, coreto e a toda a sua configuração, com calceta artística de modo a combinar com edifício da Câmara Municipal, sublinhando que a ideia é “regressar ao tempo em que São Filipe preservava os seus traços originais”.

Para o governante, não se pode correr atrás daquilo que é mais moderno, esquecendo de que a grande mais-valia de quem visita São Filipe é porque encontra uma cidade com traços originais e que não se encontra noutros espaços do país.

Além da requalificação da Praça João Paes (04 de Setembro, depois da independência), o Governo já lançou concurso para a requalificação do centro histórico de São Filipe, e segundo Abraão Vicente, desde início que o actual executivo colocou a reabilitação do centro histórico da cidade como prioridade máxima para o Governo e para a câmara.

A maior valência turística da ilha depois do vulcão são os sobrados da cidade de São Filipe, reconheceu o ministro da Cultura, avançando que se não se conseguir reabilitar a cidade, convencer os proprietários a pôr em marcha um plano de reabilitação dos seus patrimónios, provavelmente, a cidade fica totalmente descaracterizada.

Segundo Abraão Vicente, alguns dos miradouros emblemáticos da cidade estão tapados pelos prédios, como o miradouro de Aguadinha, admitindo que é preciso pôr em prática o plano e conscientizar as pessoas.

Com a lei de preservação do património nacional construído, aprovada esta semana na reunião do Conselho de Ministros, haverá a obrigatoriedade e uma liberdade maior por parte do Estado e dos municípios para intervirem em alguns patrimónios que os privados têm abandonados, passando a dispor de poderes para recuperá-los e depois acertar as contas com os privados.

Questionado se as capelas da ilha do Fogo vão ser contempladas na programação das requalificações do património, Abraão Vicente fez saber que, num primeiro momento, estão sendo reabilitadas 16 capelas a nível nacional e que as da ilha do Fogo não são aquelas que estão em situação mais grave, notado que em havendo um segundo Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidades (PRRA), acredita que as capelas da ilha serão contempladas.

O ministro destacou o trabalho feito pelos emigrantes na reabilitação de muitos patrimónios e na construção de novos edifícios com base naquilo que era património antigo a nível da ilha, observando que a reabilitação dos patrimónios é um trabalho continuo que não é feito num único mandato e nem por um só Governo, mas que é preciso manter uma linha e uma estratégia nacional para reabilitação dos sobrados e dos patrimónios antigos.

O vereador da Câmara de São Filipe Lucas Alves, presente na cerimónia de descerramento da placa, explicou que os trabalhos de requalificação da praça João Paes consistem, essencialmente, na reposição do seu traçado original, como a famosa cruz latina no meio da praça e que foi desvirtuado com a construção de um canteiro na parte norte.

Além da reposição da cruz, vai-se também repor o piso, retirar a vedação, relocalizar os canteiros, arranjar o coreto e o quiosque e reabilitar as partes que estão em estado de degradação.

A requalificação da praça está orçada em cerca de 2.500 contos e o prazo para a sua execução foi estipulado em cinco meses, mas o dono da obra está confiante de que a empreitada pode ser executada em menos tempo.

A Praça João Paes de Vasconcelos foi inaugurada na década de 30 do século passado e passou depois da independência a ser designado de Praça 4 de Setembro.

Está localizada no núcleo histórico da cidade, defronte ao edifício dos Paços do Concelho e rodeada de sobrados emblemáticos, construídos no século passado.

JR/CP

Inforpress/Fim

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