Subproduto de VX detetado na roupa de suspeita da morte de Kim Jong-nam – Especialista químico

 

Shah Alam, Malásia, 05 Out (Inforpress) – Um especialista químico disse hoje em tribunal que encontrou um produto derivado do agente nervoso VX na camisola de uma das mulheres acusadas do homicídio de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder norte-coreano.

O depoimento do especialista químico é descrito como a primeira prova que liga o VX, considerado pelas Nações Unidas como uma arma de destruição maciça, às duas acusadas pelo homicídio, a indonésia Siti Aisyah e a vietnamita Doan Thi Huong.

O julgamento das duas suspeitas começou na segunda-feira num tribunal superior na periferia de Kuala Lumpur.

Se forem consideradas culpadas, as mulheres arriscam-se à pena de morte por enforcamento.

Testemunhas anteriores disseram que o agente nervoso foi detetado no corpo de Kim Jong-nam e respectivos pertences, e identificaram o VX como a causa da morte do irmão de Kim Jong-un.

O especialista químico do governo Raja Subramaniam disse em tribunal que ele encontrou ácido VX, um sobproduto do químico VX, na t-shirt sem mangas de Siti Aisyah.

Raja disse que o VX se degrada quando reage com água, deixando detectáveis subprodutos, e que as pessoas podem descontaminar-se lavando e esfregando as mãos.

Em 13 de Fevereiro, Kim Jong-nam preparava-se para viajar para Macau, onde residia no exílio, quando foi atacado pelas duas mulheres num terminal do aeroporto da Malásia.

Alegadamente, uma das mulheres distraiu Kim, que imprimia o bilhete de embarque, e a outra aproximou-se pelas costas e tapou o rosto do norte-coreano com um pano ensopado num produto tóxico potente.

A autópsia realizada por peritos forenses malaios determinou que o cadáver continha resíduos do agente nervoso conhecido como VX e considerado pelas Nações Unidas como uma arma de destruição maciça.

A defesa, por sua vez, pôs em causa o uso do agente tóxico, dado que nenhuma das pessoas que estiveram em contacto directo com o corpo contaminado de Kim sofreu quaisquer problemas.

Após a detenção, nos dias que se seguiram ao incidente, as duas mulheres garantiram ser vítimas de um engano, disseram que pensavam estar a participar num programa de apanhados para a televisão e que o veneno era óleo para bebé.

As acusadas disseram às autoridades que toda a situação tinha sido orquestrada por um grupo de quatro homens que lhes pagou 80 dólares a cada uma.

A polícia identificou estes homens como cidadãos norte-coreanos que embarcaram depois num avião com destino a Pyongyang e pediu informações a outras três pessoas que foram ao aeroporto despedir-se deles, incluindo o segundo secretário da embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumper, Hyong Kwang.

Entre estas três pessoas estão também Kim Uk Il, funcionário da companhia aérea estatal da Coreira do Norte, e outra pessoa identificada como Ri Ji U, que se refugiou nas instalações diplomáticas durantes dias para evitar as autoridades.

Desde o primeiro momento que os serviços secretos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos atribuíram o crime a agentes norte-coreanos, mas Pyongyang argumentou que a morte foi provocada por um ataque cardíaco e acusou as autoridades da Malásia de conspirarem com os seus inimigos.

Lusa/fim

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