Subida de cinco posições de Cabo Verde no ranking da liberdade de imprensa não é surpresa – AJOC

 

Cidade da Praia, 27 Abr (Inforpress) – A presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde, Carla Lima, disse que a subida de cinco posições do país no ranking da liberdade de imprensa não constitui surpresa, pois, “há factores internos” que contribuíram para isso.

“Quando há uma situação que se degrada um pouco por todo o mundo, principalmente em África, países como Cabo Verde tendem claramente a sobressair neste ponto”, apontou, hoje à RCV, explicando que, há alguns acontecimentos que os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) levam muito em conta e que em Cabo Verde há anos que não se verificam.

“Nós sabemos que há anos que não se verificam, por exemplo, prisões, maltratos ou agressões a jornalistas ou questões desta natureza”, exemplificou, acrescentado que no que concerne às leis, os RFS fazem um grande elogio à constituição de Cabo Verde, uma vez que, o país possui uma boa legislação em relação à comunicação social.

Para Carla Lima, esta posição constitui “dados adquiridos” e “ganhos consolidados” no arquipélago que permitem conseguir realmente esta posição, por outro lado, salienta que é “preocupante” o nível de autocensura referenciada pelos RSF, onde considera que a pequenez do país e a paisagem de África encoraja os jornalistas a não entrarem em conflito com os potenciais futuros empregadores.

Uma questão que, de acordo com a presidente da AJOC, deve merecer uma “profunda reflexão” no sentido de aumentar a liberdade de imprensa no país.

“É um problema que precisa de ser visto, principalmente no momento em que vão se reduzindo as oportunidades com o encerramento de alguns jornais”, notou, acrescentado que, os espaços mediáticos estão a ficar cada vez menores e “há uma situação que precisa ser vista principalmente a sustentabilidade nos órgãos privados”.

Para Carla Lima, a liberdade de imprensa e a sustentabilidade da comunicação social, como um todo, se faz na combinação entre órgãos públicos e privados.

Avança a fonte que “não é hora de baixar os braços”, que é preciso olhar para dentro e para os problemas internos, que normalmente não estão reflectidos nestes relatórios, que são feitos fora do país, mas, defende, é necessário observar para as situações, problemas e constrangimentos com mais “assiduidade e atenção”, no sentido de reforçar a liberdade de imprensa em Cabo Verde.

Em reacção ao relatório, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), através do seu presidente, considerou que a posição de Cabo Verde no ranking da liberdade de imprensa, deve-se ao esforço dos profissionais de comunicação social.

António Monteiro disse que esta melhoria é “pouco relevante”.

“É claro que nós gostaríamos de estar um pouco mais avançado e não somente um aumento de cinco posições e, se não me engano, estamos na vigésima sétima posição. Gostaríamos de estar melhor, mas espero que no futuro com o empenho e dedicação dos órgãos de comunicação social, e acima de tudo dos profissionais, o país possa estar no topo do índice, o que seria um grande ganho para o país” perspectivou.

Já o secretário-geral do Movimento para a Democracia (MPD), Miguel Monteiro, congratula-se com esta subida, justificando que a classificação coincide com as medidas adoptadas pelo Governo em relação ao sector.

“O governo do MpD desde sempre colocou isso na constituição de 1992, falando da Comunicação Social, certamente que estará presente e fará todo os possíveis para que a comunicação social esteja cada dia mais firme, forte e convicta do seu papel, e efectivamente permite termos maiores níveis de liberdade de imprensa em Cabo Verde”, observou.

O relatório dos Repórteres sem Fronteiras foi divulgado esta quarta-feira e, segundo o documento, Cabo Verde subiu da 32ª posição em 2016, para 27ª em 2017.

AF/ZS

Inforpress/Fim

 

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