Sociólogo defende que é preciso mais empatia e maior consciencialização da importância dos idosos

Cidade da Praia, 15 Jun (Inforpress) – O sociólogo Henrique Varela considerou hoje que é preciso que a sociedade cabo-verdiana seja mais “empática” relativamente à situação dos idosos e tenha consciência da importância e o contributo que os mesmos deram na construção do país.

Em entrevista à Inforpress, a propósito do Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa, que se assinala a 15 de Junho, Henrique Varela destacou a importância da instituição da data que, a seu ver, serve de reflexão sobre a forma como os idosos têm sido tratados e as acções tomadas e que podem ser reforçadas visando apoiar, auxiliar e cuidar deles nos momentos que mais precisam.

“Temos de procurar saber se os idosos estão bem integrados, plenamente incluídos no lar onde vivem ou em qualquer outro espaço onde eventualmente possam estar a residir”, declarou o sociólogo.

Destacou que Cabo Verde neste quesito “está bem servido”, justificando que o país não tem a cultura de colocar os idosos em casas de abrigo e que normalmente a grande maioria permanece em casa onde fica sob os cuidados dos familiares.

Entretanto, reconheceu que é preciso uma tomada de consciência por parte de quem está perto desses idosos, da necessidade de se dispensar ainda mais o acompanhamento, os cuidados, lembrando que as coisas só melhoram quando há uma maior consciencialização de que todos um dia estarão nesta posição, ou seja, que farão parte da terceira idade.

“É preciso um trabalho de empatia para nos colocarmos no lugar do idoso vendo psicologicamente a situação que o mesmo está a passar hoje, nós temos de fazer acções que visam melhorar a condição de vida dos mesmos, proporcionando-lhes uma velhice mais digna e feliz”, considerou.

Henrique Varela apontou ainda a questão do acompanhamento, mapeamento e identificação da residência dos idosos para se conhecer como é que estão sendo tratados como um grande desafio que Cabo Verde tem de ultrapassar.

Ressalvou também que as políticas públicas sempre têm de ser gizadas de acordo com o tempo, ou seja, as mesmas têm de se adaptar e adequar às circunstâncias actuais por forma a promover a resiliência da pessoa idosa para que os resultados sejam positivos.

A mesma fonte destacou o papel que o idoso desempenha na sociedade, considerando que o mesmo funciona como uma biblioteca viva porque são pessoas que já viveram muitas experiências nas várias vertentes e essas experiências servem nos dias de hoje e para a geração que está no activo.

“O meu apelo neste dia importante é que a nossa sociedade continue cuidando dessa biblioteca viva porque com o conhecimento e a aprendizagem a sociedade se transforma e evolui”, concluiu.

O Dia da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa comemora-se no dia 15 de Junho e foi instituído em 2006 pela Rede Internacional para a Prevenção do Abuso à Pessoa Idosa (“The International Network for the Prevention of Elder Abuse”).

Este dia foi estabelecido com o objectivo de proporcionar a reflexão sobre uma questão social sensível. O envelhecimento da população nos países desenvolvidos, proporciona o aumento dos maus-tratos físicos e psicológicos e o seu esquecimento, tanto pelas famílias como pelos serviços de acolhimento.

A ONU relembra que a discriminação etária é uma grave violação dos Direitos Humanos, reconhecendo este dia através da Resolução 66/127 da Assembleia Geral da ONU em 11 de Dezembro de 2011.

CM/ZS

Inforpress/Fim.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos